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Uma “simples” questão de critérios

Uma “simples” questão de critérios

O artigo aborda a positividade de uma nação que se auto-organiza segundo o viés da racionalidade e da cientificidade

Cléverson Israel Minikovsky
26 de fevereiro de 2026
555 visualizações

A referência civilizacional para o mundo ocidental são os Estados Unidos da América. Esse país desenvolveu-se muito, através da promoção de guerras e do modo capitalista de produção. Marx, quase em tom de mantra, dizia que o segredo do capitalismo é o crédito. Razão total seja dada a ele. Sendo o país mais endividado do planeta, os Estados Unidos devem, hoje, mais de US$ 38 trilhões. Isso é mais do que todo o seu PIB. Como não conseguem saldar seus compromissos com “dinheiro de caixa”, recorrem sistematicamente a mais empréstimos para manter as contas em dia. A cada dia, os ianques passam a dever novos US$ 6 bilhões. Veja-se que a dívida já saiu do controle. Eles estão apenas protelando o dia da insolvência irremediável. No lugar dos norte-americanos, eu preferiria desacelerar a economia e botar a casa em ordem. É uma nação que está sendo displicente com o planejamento. O exato oposto disso é a China. Ela investe pesado em infraestrutura. Das 74 áreas tecnológicas consideradas estratégicas, a China figura como líder incontrastável em 90% delas. Enquanto no Ocidente o sujeito precisa de dons de retórica ou ser apresentador de televisão para ingressar na carreira política, na China ele carece de um diploma na área das engenharias. O presidente da China, Xi Jinping, é engenheiro químico. O Comitê Supremo, da China, é o órgão com maior poder da república referida, estando abaixo somente do presidente, e ali se vê a presença massiva de engenheiros, inclusive o projetista da maior usina hidrelétrica do mundo. A China permanece fiel à doutrina do socialismo científico. Marx fez de tudo para revestir o socialismo de cientificidade. Jürgen Habermas disse que, no Ocidente, há um complexo indústria-exército-ciência-ideologia que se presta à definição de objetivos que nunca entraram em pauta de debate, mas se mostram como metas prontas e indiscutíveis. Essa crítica é muito boa. Afinal, nós nos esforçamos tanto para quê? Nossa racionalidade, nesse aspecto, é puramente instrumental. E aí o filósofo aludido ingressa no campo da razão dialética. Tomando emprestada essa reflexão e aplicando à realidade chinesa, logo percebemos que a riqueza produzida e o poder consolidado não se direcionam ao interesse de pessoas, famílias, empresas ou grupos econômicos, mas ao interesse da coletividade. A sociedade tecnocrata, em que os tomadores de decisão são engenheiros, racionaliza todas as áreas de atividade humana. No passado, a China convidou as empresas multinacionais a comporem o parque industrial de seu país, desfrutando de mão de obra barata, em troca de transferência de tecnologia. Outra medida tomada, a China começou a enviar seus melhores cérebros para estudar em universidades estrangeiras e se apropriar destes conhecimentos. Com essa metodologia, o país, aos poucos, ou aos muitos, foi se modernizando. Hoje a China é o país que tem a maior reserva cambial em dólar, sendo seguida pelo Japão. Se, antes, a China queria exportar muito, hoje ela preserva essa ideia, mas, a par disto, pretende investir pesado em infraestrutura em lugares como África e América Latina, para vender energia, serviços, bem como explorar a capacidade de consumo destas nações, a principiar pelos automóveis. Critica-se o governo chinês pela falta de liberdade individual e pelas restrições democráticas, mas, no geral, o cidadão chinês mediano se encontra em melhor condição socioeconômica do que o cidadão comum de um país ocidental. A percepção de que a produção de riqueza necessita de pressupostos materiais e tecnológicos focou a inteligência estatal na produção de recursos humanos com essas características. Agora que a China “encontrou o caminho das pedras”, ela pretende, doravante, investir em cultura imaterial. Veremos a popularização do mandarim, a presença mais intensa da música, do cinema, da literatura chinesa, da sua filosofia e dos seus valores. Aí está o resultado de um país que apostou em ciência, tecnologia e universidades. Já no Brasil, ainda que eu não queira, enviam-me mensagens de vídeo, protagonizadas por anônimos ou por grandes personalidades, denegrindo a carreira acadêmica. A pergunta é: quem está dizendo? Por que está dizendo? De modo hialino, enxergo que o estudo vem sendo apresentado como o errado, justamente por isto, ele dá certo, muito certo! No que depender de mim, sugiro isto: menos futebol, menos carnaval, mais semicondutores, mais empresas de equipamentos e acessórios, mais estudo, mais universidade, mais trabalho, mais planejamento, mais interesse coletivo e menos idiossincrasia. O Brasil precisa ser convertido em um grande canteiro de obras. O conúbio entre estudo e trabalho tem como prole a prosperidade e o sucesso. É copiar e fazer!

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