
REVOLUÇÃO FRANCESA
A Revolução Francesa inspirou o Brasil a adotar símbolo frances na sua moeda.
REVOLUÇÃO FRANCESA
Diante de muitas perguntas sobre a esfígie do nosso dinheiro, resolvemos aprofundar um pouco mais a história de Marianne, a esfígie que nasceu com a Revolução Francesa.
MARIANNE

Ela nunca foi uma pessoa real - ela é uma ideia.
MARIANNE (MARIANA BRASILEIRA)

O rosto que você vê na nota e nos monumentos franceses se chama Marianne, e foi escolhido por 3 motivos:
1. Tradição antiga
Desde a Grécia e Roma, conceitos abstratos como Liberdade, Justiça e Vitória eram sempre representados como mulheres. Em latim, a palavra "liberdade" - libertas - é uma palavra feminina. Então a Liberdade tinha que ser mulher.
REI LUÍS XVI

2. Para não ser o Rei
Até 1789, a França era o rosto de um homem: o Rei Luís XVI. Para dizer "a monarquia acabou", os revolucionários precisavam do oposto - não mais um homem com coroa de ouro, mas uma mulher do povo com um gorro simples de trabalhador. Esse gorro é o barrete frígio, aquele gorro vermelho pontudo. Era o chapéu que os escravos libertos usavam em Roma. Virou símbolo de "agora sou livre".
3. Por que "Marianne"?
Marie e Anne eram os dois nomes mais comuns entre as mulheres pobres da França na época. O povo começou a chamar a estátua de "Marianne" como se fosse uma mulher qualquer do povo - "a Maria". Foi uma forma de dizer: a República não é de nobres, é da gente comum. Em 1792 a Assembleia Nacional oficializou: Marianne seria o símbolo da nova República Francesa.
Depois a França exportou esse símbolo para o mundo todo. Quando o Brasil virou República em 1889, copiamos a mesma lógica - e colocamos a nossa Marianne na moeda para dizer "também somos uma República livre".
A TOMADA DE BASTILHA.

Na tomada de Bastilha pelo povo o exército francês não interferiu porque a maioria já estava do lado do povo.
O que foi isso?
A Tomada da Bastilha foi no dia 14 de Julho de 1789, em Paris.
Bastilha era uma prisão-fortaleza gigante no centro de Paris. Para o povo, ela era o símbolo do poder do Rei Luís XVI - lá ele prendia quem discordasse dele, sem julgamento. Nesse dia o povo estava com fome e com medo porque o Rei tinha chamado o exército para Paris. Eles precisavam de pólvora para se defender. Aconteceu assim: De manhã, o povo invadiu o Hospital dos Inválidos e pegou 32 mil fuzis. Mas, fuzil sem pólvora não serve. A pólvora de Paris toda estava guardada dentro da Bastilha. Uma multidão de quase mil pessoas cercou a prisão e pediu a rendição. O governador da Bastilha não entregou e atirou na multidão. Morreram 98 pessoas. O povo se revoltou, invadiu à força e matou o governador. Libertaram os 7 presos que estavam lá dentro - que eram mais ladrões e doidos que presos políticos mesmo. A importância não foi libertar preso. Foi simbólica: foi a primeira vez que o povo comum venceu o exército do Rei. Por isso o Rei Luís XVI escreveu no seu diário naquele dia só a palavra "Nada". Ele não entendeu que ali tinha começado a Revolução Francesa. Hoje, 14 de julho é o feriado nacional da França, igual o nosso 7 de setembro.
Então a tomada de bastilha foi um marco importante na revolução francesa?
Sim. Foi O marco mais importante. Não foi importante pelo que tinha lá dentro - só tinha 7 presos, nenhum importante. Foi importante pelo que ela simbolizava:
1. Foi a primeira vitória do povo contra o Rei. Até então ninguém tinha enfrentado o exército do Rei Luís XVI e vencido. Ali o povo viu que podia.
2. Virou o ponto sem volta. Depois que o povo derrubou a maior fortaleza do Rei, não tinha mais como voltar atrás e fingir que nada aconteceu. O Rei teve que aceitar negociar.
3. Virou símbolo mundial de liberdade. Por isso em todo ano a França comemora o 14 de julho como Dia Nacional, igual a gente comemora o 7 de Setembro. Em resumo: não foi uma grande batalha militar. Foi um recado: "o poder agora não é mais do rei, é do povo".
Quais foram os principais motivos que levaram o povo à revolta contra o rei?
Foram 4 motivos juntos. Nenhum sozinho faria a revolução, mas os 4 ao mesmo tempo explodiram:
PRODUÇÃO AGRÍCOLA PERDIDA
1. FOME

Campos desvastados pelo clima.
2 anos seguidos de colheita ruim. O pão, que era 70% da comida do povo, dobrou de preço. O povo de Paris passava fome enquanto no palácio do Rei tinha festa todo dia.
2. ESTADO FALIDO A França estava quebrada. O Rei Luís XVI gastou uma fortuna ajudando os EUA na guerra contra a Inglaterra e sustentando a nobreza em Versalhes. Para pagar, ele quis aumentar o imposto só do povo. Nobre e padre não pagavam imposto.
3. DESIGUALDADE ABSURDA Sociedade dividida em 3: 1º Estado: Padres (1% da população, dono de 10% das terras, sem imposto)
2º Estado: Nobres (2% da população, dono de 20% das terras, sem imposto)
3º Estado: Todo o resto (97% da população, dono de 70% das terras, pagava TODOS os impostos)
4. IDEIAS NOVAS Os livros dos Iluministas - Rousseau, Voltaire, Montesquieu - circulavam dizendo que "todo homem nasce livre e igual" e que o poder não vem de Deus, vem do povo. O povo começou a acreditar que não precisava mais de rei.
Por quais motivos o rei Luiz XVI governava contra o povo?
Na verdade ele não acordava pensando "hoje vou governar contra o povo". O problema é que todo o sistema foi feito para ele governar SEM o povo.
Foram 3 motivos principais:
1. Ele acreditava que era escolhido por Deus O Rei na França era absolutista. A ideia oficial era: Deus colocou o Rei no trono, então questionar o Rei é questionar Deus. O lema dele era "L'État, c'est moi" - O Estado sou eu. Ele não achava que precisava ouvir ninguém.
2. Ele vivia totalmente isolado Ele morava em Versalhes, um palácio a 20km de Paris, com 2 mil nobres. Ele nunca via fome, nunca andava na rua. Quem informava ele eram os nobres, e os nobres diziam "está tudo bem, o povo ama o senhor". Ele não tinha noção da realidade.
3. Ele dependia dos nobres para se manter no poder Se ele taxasse os nobres e os padres, eles tiravam ele do trono. Então era mais fácil taxar o povo, que não tinha voz. Quando ele tentou fazer uma reforma justa em 1789, cobrando imposto de nobre, os nobres se recusaram e falaram para ele chamar os Estados Gerais - que acabou virando a Revolução. Ele era indeciso, fraco e mal assessorado. Não era um tirano cruel como outros reis. Era mais perdido e refém do próprio sistema. Quando finalmente entendeu o que estava acontecendo, em 1789, já era tarde demais.

Tempos depois o rei foi decapitado.
Esse foi o resumo da história da Revolução Francesa da qual originou-se o símbolo Marianne que migrou para as cédulas e moedas brasileiras.
Sei o que vocês estão pensando: “Conheço certos países que precisam de uma “Revolução Francesa!”
Lembra que “Quando o Brasil virou República em 1889, copiamos a mesma lógica - e colocamos a nossa Marianne na moeda para dizer "também somos uma República livre"?
CONSTATAÇÃO:

Este usurpou o poder, transformou o Brasil pacífico num campo de guerra e massacrou multidões, tudo em nome da DEMOCRACIA.
Pois é... A tal “República livre”, prá começar:
A) Foi um golpe militar que o povo não aceitou.
B) O primeiro Presidente, Deodoro da Fonseca, foi deposto (OBRIGADO A RENUNCIAR) sob alegação que estava doente e não poderia governar.
C) Floriano Peixoto, o “General de Ferro”, vice-Presidente, tomou o poder passando por cima da Constituição que dizia que o vice-Presidente não poderia governar o país.
D) A tomada de poder aconteceu sob as armas que fizeram milhares de vítimas em revoltas em todo o país.
FUZILAMENTO DE CIVIS NA ILHA DE ANHATOMIRIM

CRUZ-CREDO! QUE NOJO! Multidões sendo fuziladas em nome do poder.
E) Por exemplo, em Santa Catarina, na Capital que chamava-se Nossa Senhora do Desterro, metade da população da ilha, que não concordava com a “República da Espada”, foi executada sob a espada e fuzilamento. A ilha de Anhatomirim foi um dos palcos deste genocídio em nome da liberdade.
E, até hoje, vemos e vivemos a bagunça que o novo regime impôs ao povo brasileiro.
F) Até o nome da Capital foi imposto: mudou para Florianópolis vangloriando o seu maior carrasco: Floriano Peixoto. O povo de Florianópolis prefere chama-la de Floripa.
Agora, o papo reto de Celso e de Mariana:
(Não somos aficionados a nenhum regime político e ficamos longe de politicagem, apenas ajustamos nossas ideias à realidade).
Isso de uma imagem no dinheiro não consolida e nem sustenta a ideia de liberdade e muito menos coloca um país em situação real de independência e, também, não reflete o gosto da maioria!
Símbolo sozinho não faz liberdade. A Marianne no Brasil é um caso curioso porque:
1. Foi uma liberdade importada. A França criou a Marianne depois que o povo dela realmente derrubou o rei. 2. O Brasil proclamou a República num golpe militar em 1889, sem participação popular. Aí o novo governo precisou inventar um símbolo rápido para dizer "agora somos livres". Colocaram a Marianne no dinheiro, na bandeira, nos prédios, para tentar criar na marra um sentimento que não existia na rua.
3. Independência real é econômica e jurídica, não estética. O que sustenta independência é ter moeda estável, justiça funcionando, gente podendo votar e trabalhar sem depender de favor. Se isso não tem, pode colocar a deusa da liberdade até na lua que não adianta. Nos anos 80-90 a gente tinha Marianne na nota de 5 mil cruzeiros que no mês seguinte já não comprava mais nada por causa da inflação.
4. Sobre o gosto da maioria, o Brasil nunca votou para escolher esse símbolo. Foi uma elite positivista, muito fã da França, que decidiu. Se fosse perguntar para a maioria em 1889, provavelmente o povo ia preferir algo mais brasileiro - um indígena, Tiradentes, uma figura do interior. Tanto que no Real (dinheiro) tentaram equilibrar: deixaram a Efígie de um lado e colocaram os animais da fauna brasileira do outro lado, que é o que o povo mais reconhece e gosta hoje. 5. Simbolo só funciona quando ele resume uma coisa que já existe. Quando ele tenta criar do zero, ele fica artificial - só enfeite de cédula mesmo.
Obrigado a quem concorda com o nosso papo reto. A quem não concorda, e deve ter suas razões, obrigado do mesmo jeito!
Sempre é bom um pouco de história, não acham?
Obrigado! Abraços de Celso e de Mariana!

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