Jornal Liberdade
A HISTÓRIA DO DINHEIRO NO BRASIL

A HISTÓRIA DO DINHEIRO NO BRASIL

NA HISTÓRIA DO BRASIL, O DINHEIRO PASSOU POR DIVERSAS FASES

Celso e Mariana
19 de agosto de 2026
43 visualizações

A HISTÓRIA DO DINHEIRO NO BRASIL

A história é meio comprida, mas se você realmente quiser saber sobre o dinheiro no Brasil, acompanhe até o final.

A história do dinheiro no Brasil começou com o escambo (TROCA-TROCA) entre indígenas e portugueses, passando por moedas coloniais e trocas de mercadorias, até chegar ao padrão Real em 1994. Ela mudou bastante ao longo dos séculos devido à inflação e novas tecnologias de pagamento.

A história da nossa moeda vem desde a época da colonização, passando por diversas reformas monetárias para conter a inflação, pela era do Cruzeiro e pelo famoso Plano Real, até chegar ao revolucionário Pix.

     ESCAMBO.

Quando o Brasil era ainda colônia de Portugal, para adquirir alguma coisa era na base de troca em quase tudo: quem tinha aipim trocava por outro que tinha batatas, até roupas, calçados, animais e todo tipo de apetrechos entravam na troca.

Depois vieram as moedas, os antigos patacões, impressos em Portugal e trazidos por autoridades e negociadores que, aos poucos foram introduzidos no comércio do Brasil.

Na numismática brasileira, os patacões (famosas moedas de prata de 960 réis) são classificados em tipos ou períodos históricos de cunhagem, diferenciados pelas legendas, brasões e contextos políticos: Os patacões eram diferenciados pelas fases.

*Brasil Colônia (1810–1816)

*Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1816–1822)

*Império do Brasil - Período de Transição / D. João VI (1822–1826)

*Série Especial / Variantes de Recunho

Tipos de patacões

Os trabalhadores de Estrada Dona Francisca, desce 1858 até seu término, recebiam as cédulas imperiais chamadas Réis.

Os réis foram trazidos de Portugal com a vinda da Família Real em 1808, que veio refugiar-se no Brasil porque Napoleão Bonaparte, Imperador Frances, atacou Portugal.

Os réis vigoraram até 1° de novembro de 1942 quando foi substituído pelo Cruzeiro. Um Cruzeiro valia mil Réis. Então, símbolo “RS” ou “$” que você vê em livros de história é de 1808-1942.

As cédulas eram lindas!

A figura no centro da cédula de cima representa Dom Pedro II. No verso da cédula a figura representa a primeira missa com a chegada dos portugueses ao Brasil.

Antes de 1808, os réis eram escassos na colônia, mas com a abertura do Banco do Brasil em 1808, todo mundo podia ter e usar: comerciantes, fazendeiros, população.

Hoje, o dinheiro físico vem perdendo cada vez mais espaço e, ao que tudo indica, deve ser substituído pelos meios digitais.

Se você quer saber como os pagamentos chegaram a esse nível, acompanhe nosso artigo com um breve resumo da evolução do dinheiro no Brasil.

O Brasil teve diversas moedas, desde o período colonial, até chegar ao Real que conhecemos hoje.

VEJA COMO FOI A EVOLUÇÃO DO DINHEIRO NO BRASIL DESDE O COMECINHO ATÉ NOSSOS DIAS.

Nas primeiras décadas do Brasil Colônia (1500 a 1822), circularam várias moedas trazidas por colonizadores portugueses, como os vinténs e os tostões.

A partir de 1580, com a união das coroas de Portugal e Espanha, moedas de prata espanholas (real espanhol) também passaram a circular no Brasil.

Havia ainda moedas holandesas circulando no nordeste, como florins e soldos.

Ééééé...! Os holandeses queriam “garfear” o Brasil para eles, e por pouco não conseguiram!

Os espanhóis também tentaram, mas não deu em nada!

É que os portugueses eram fó... formidáveis e bons no trabuco e na baioneta!

    PATACÃO

Na nossa história, houveram duas moedas chamadas Reais. A primeira moeda Real foi criada em 1690-1694, na Bahia, Salvador, chamada PATACA e valia 320 Réis. Era o Real que ficou conhecia pelo plural “Réis”. Costumava-se dizer: “Ei, você aí, tem um Patacão pra me emprestar?”

Mesmo, muito depois, já nos meados do século XX, lá por volta dos anos 1940 e 1950, costumava-se dizer: - “Me arranja cinco mirréis que estou precisando!”

- "Não posso! Não tenho nenhum vintém no bolso!"

O Real que usamos agora foi criado em 1° de julho de 1994 com o Plano Real.

No dia 8 de março de 1694 D. Pedro II(*) fundou a primeira Casa da Moeda, na Bahia, com o objetivo de padronizar as moedas estrangeiras que circulavam por aqui.

Aqui é bom fazer um esclarecimento: houveram dois D. Pedro II.

(*) O primeiro foi Rei e Portugal que reinou de 1683 a 1706 e foi este quem criou a Casa da Moeda no Brasil, ainda no período Brasil-Colônia.

O segundo foi o filho de D. Pedro I, este filho do Rei D. João VI.

Então, para explicar melhor: D. João VI pai de D. Pedro I; D. Pedro I pai de D. Pedro II.

Desfeita a confusão, continuemos.

Assim, foram cunhadas moedas de ouro de mil, 2 mil e 4 mil réis, e também moedas de prata de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis, que ficaram conhecidas como a “série das patacas”.

Dessa forma, os réis continuaram sendo utilizados durante todo o período do Império (1822 a 1889) e também no início da República (1889) – ao todo, a moeda circulou por 400 anos.

Em 1834, a Casa da Moeda começou a cunhar moedas de prata, e o cruzado substituiu a pataca: 400 réis representavam 1 cruzado.

A moeda ainda passou por diversas transformações, como a chegada das cédulas devido à escassez de minério, a impressão da famosa “cara ou coroa”, além de várias edições especiais para marcar eventos como a coroação do Imperador e a Independência do Brasil.

Antigamente, as moedas e até cédulas eram guardadas na guaiaca – uma bolsinha de couro que os viajantes levavam na cintura.

Era muito usada a expressão: “Ahã! Tá coa guaiaca estufada, né

Na história do uso do dinheiro houveram muitas outras expressões, que não cabe aqui mensioná-las.

O dinheiro teve e tem muitos apelidos: Prata, bufunfa, cascalho, grana, tutu, tufo, din, dindin, massa, breu, conto, mango, pila, lacraia, ... e por aí vai.

Era do Cruzeiro e reformas monetárias

Em 1942, teve início a era do Cruzeiro (Cr$).

Durante o período Colonial, Imperial e República Velha circulou uma variação enorme de cédulas no Brasil.

Na época, existiam 56 tipos diferentes de cédulas em circulação, e a nova moeda cumpriu o papel de padronizá-las.

No início, um cruzeiro equivalia a mil réis.

De 1942 até 1994, foram realizadas diversas reformas monetárias para lidar com a inflação que decolava no país, passando por várias versões do Cruzeiro e do Cruzado. 

Em 1967, foi instituído o Cruzeiro Novo (NCr$), criado em caráter temporário para acostumar a sociedade ao corte de três zeros (mil cruzeiros correspondiam a um cruzeiro novo).

O Cruzeiro Novo se manteve até 1986, quando o aumento da inflação levou à criação do Cruzado (Cz$).

Novamente, foram cortados três zeros, pois um cruzado equivalia a mil cruzeiros novos.

O movimento inflacionário continuou e, em 1989, deu origem ao Cruzado Novo (NCz$).

Dois anos depois, em 1990, a moeda voltou a se chamar Cruzeiro com a unidade equivalente ao Cruzado Novo. 

Em uma última reforma monetária antes do real, em 1993, foi implementado o Cruzeiro Real (CR$).

IPCA: conheça o principal índice brasileiro de inflação.

A era do Real

Enfim, em 1º de julho de 1994, foi lançado o Real, que se mantém até os dias de hoje.

Na época, R$ 1 equivalia a CR$ 2.750,00, cotação próxima ao dólar.

A moeda entrou em circulação a partir do Plano Real, lançado pelo presidente Itamar Franco, que teve sucesso em estabilizar a economia do país e interromper o ciclo contínuo de inflação.

Antes disso, a inflação havia alcançado a marca impressionante de 4.922% em 12 meses, em junho de 1994.

Já em 1995, o valor foi reduzido para apenas 22%.

Dessa maneira, o Real representa o início de um período de maior estabilidade, com o Banco Central à frente da manutenção do poder de compra da moeda.

Com isso, surgiram várias inovações ao longo dos anos.

Em 2000, foram impressas as primeiras cédulas de polímero com elementos de segurança de última geração.

Mas a verdadeira revolução tecnológica ainda estava por vir, uma vez que o grande passo para a nova era da nossa moeda foi a digitalização dos pagamentos.

Tecnologia e pagamentos digitais

Antes do Pix como conhecemos, o primeiro método de pagamento digital no Brasil foi o cartão de débito.

Depois de conhecer a história da moeda brasileira, é  importante saber como surgiram os meios de pagamento utilizados atualmente, como cartões e transferências digitais.

primeiro cartão de débito brasileiro foi lançado pelo empresário tcheco Hanus Tauber, em 1954, com a bandeira do Diners.

O chamado Diners Club Card era aceito em apenas 27 restaurantes com uma clientela de 200 executivos, conforme dados do Museu do Cartão de Crédito.

De um lado estava grafado o nome do cliente, e no outro, os estabelecimentos em que era aceito.

Só dois anos mais tarde, em 1956, chegou o primeiro cartão de crédito, também da Diners.

Já o internet banking chegou em 1995 às principais instituições financeiras do país, inaugurando as transferências entre contas pela internet. 

Antes disso, já existia o DOC (Documento de Ordem de Crédito) tradicional, que permitia transferências de uma conta para outra entre instituições financeiras, mas o serviço só podia ser realizado em agências bancárias – aliás, o DOC foi extinto em 15 de janeiro de 2024.

A grande virada tecnológica dos pagamentos no Brasil aconteceu a partir dos anos 2000, com a consolidação do e-commerce e o surgimento de métodos como boleto bancário, transferência online, gateways de pagamento e, finalmente, o Pix.

Vamos entender melhor como se deu essa transformação digital nos próximos tópicos.

Confira os principais capítulos da evolução do dinheiro no Brasil.

Primeiras moedas: Período Colonial e Império

Resumindo: quais moedas o Brasil já teve?

MIL RÉIS DO IMPÉRIO

Para resumir essa breve história da evolução do dinheiro no Brasil, tivemos as seguintes moedas oficiais:

Real (réis) – 1694 a 1942

Cruzeiro (Cr$) – 1942 a 1967

Cruzeiro Novo (NCr$) – 1967 a 1970

Cruzeiro (Cr$) – 1970 a 1986

Cruzado (Cz$) – 1986 a 1989

Cruzado Novo (NCz$) – 1989 a 1990

PLANO COLLOR

Lembro que um colono chegou no bar do meu pai, na Rua do sapo, tomou todas para esquecer as mágoas porque tinha vendido vários sacos de milho e quando foi cobrar o comprador já não tinha mais dinheiro para pagar o milho por causa do confisco. Então o colono disse: "Pu7@ m3rd@, tamo tudo ferrado!"

EM 16 DE MARÇO DE 1990, O PRESIDENTE FERNANDO COLLOR CONFISCOU A POUPANÇA DOS BRASILEIROS. Cada um tinha direito de retirar da sua conta corrente ou poupança apenas NCz$ 50.00. Isso mesmo: apenas cinquenta Cruzados Novos (cinquentinha). Muita gente suicidou-se, pois havia engatado negócios de milhões de Cruzados Novos e de repente não mais os tinha. Negócios e empresas faliram, casamentos adiados, propriedades perdidas...Um inferno nas terras brasileiras. Várias pessoas e familiares do Presidente, banqueiros, autoridades... retiraram seus dinheiros dos bancos pouco antes da tragédia. Estranho, não?

É como dizia meu avô: “A história do Brasil tem cada uma que parece duas”.

Voltemos à sequência.

Cruzeiro (Cr$) – 1990 a 1993

Cruzeiro real (CR$) – 1993 a 1994

Real (R$) – 1994 até hoje.

MOEDAS ATUAIS.

NÃO DÁ VONTADE DE DERRAMAR UM MONTÃO DE MOEDAS SOBRE A MESA SÓ PARA ESCUTAR O TILINTAR DE UMAS SOBRE OUTRAS E VÊ-LAS SE ESPARRAMANDO NUM ESPETÁCULO BRILHANTE DIANTE DOS OLHOS?

 A EVOLUÇÃO DO DINHEIRO.

Ordem das Moedas – DINHEIRO- (1942 até Hoje)

Cruzeiro (1942–1967): Substituiu o antigo mil-réis. 

Cruzeiro Novo (1967–1970): Criado para cortar zeros e facilitar contas devido à inflação. 

Cruzeiro (1970–1986): O nome "novo" foi retirado, voltando a se chamar apenas cruzeiro. 

Cruzado (1986–1989): Veio com o Plano Cruzado, cortando mais zeros da moeda antiga. 

Cruzado Novo (1989–1990): Nova mudança rápida por causa da volta da inflação alta. 

Cruzeiro (1990–1993): O nome cruzeiro foi usado mais uma vez no Governo Collor. 

Real (1994 até hoje).

 

Agora, vejamos a história moderna do nosso dinheiro.

1. As Moedas antes do Real

Só pra fechar o ciclo antes: Cruzeiro → Cruzado → Cruzado Novo → Cruzeiro → Cruzeiro Real → REAL

A era do REAL - desde 1994

 1994 - Nasce o Real. Cédulas: R$1, R$5, R$10, R$50, R$100. Moedas de 1, 5, 10, 25, 50 centavos e R$1

1998 - Sai a cédula de R$2

2002 - Lançam as cédulas da "2ª família" com mais segurança

2010 - Lançam a "2ª família" completa com R$10, R$20, R$50, R$100

2012 - Sai a cédula de R$20 da 2ª família

2020 - Lançam a cédula de R$200 com o lobo-guará

2021 - Sai a "3ª família" de moedas. As de 1 e 5 centavos praticamente sumiram de circulação

O Real foi criado em 1º de julho de 1994 com o Plano Real. E desde então ele continua sendo a nossa moeda.

Evolução dentro do Real:

 

A revolução dos pagamentos - sem trocar a moeda

O Real continua o mesmo, mas a forma de usar mudou muito:

Cartão de débito/crédito - já existia, mas popularizou

Internet Banking - anos 2000

Carteiras digitais - PicPay, Mercado Pago, 2015+

Pix - 16 de novembro de 2020

Transferência instantânea 24h

Criado pelo Banco Central

Mudou tudo. Hoje é a forma mais usada de pagamento no Brasil

Então, o Real de 1994 é o mesmo de hoje. O que mudou foi a tecnologia pra usar ele.

Resumo: 1994 Real → 2020 Pix → 2024 temos cédula, moeda, cartão, QR Code e Pix tudo valendo em Real

ATENÇÃO: Existem moedas e cédulas antigas que valem uma fortuna. Pesquise, quem sabe você tenha uma delas.

Num futuro próximo, falaremos de como alguém com pouco dinheiro pode conseguir fortunas.

MONTANHA DE DINHEIRO.

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