Jornal Liberdade
Ideb - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica

Ideb - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica

Educação: a importância do diagnóstico ao longo do decurso das fases

Cléverson Israel Minikovsky
17 de agosto de 2026
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O Ideb, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, exibiu progresso em sua última aferição. Os dados foram publicados em 05 de agosto de 2026, calcados no último Saeb, Sistema de Avaliação da Educação Básica, aplicado em 2025. Verificaram-se avanços em onze Estados da Federação. Os avanços ocorreram não necessariamente nos Estados com melhores condições socioeconômicas, mas onde as políticas públicas foram levadas mais a sério. Os critérios de avaliação passam por 1) aprovação/reprovação, 2) evasão e 3) proficiência. O índice de aprovação já está bem próximo a cem por cento, portanto não poderemos avançar no Ideb com base nesse fator. É preciso focar na proficiência. Porque se observa que muitos alunos passam de ano sem o correspondente avanço cognitivo. São preconizadas, pelo Ideb, as disciplinas de língua portuguesa e matemática. Essas disciplinas seriam as mais relevantes na perspectiva constitucional, para a qual a formação teria como corolário o exercício da cidadania e do trabalho. Tão bom quanto o próprio avanço realizado, foi o ciclo dentro do qual ele se consubstanciou, ou seja, nos anos iniciais do ensino fundamental. Historicamente, essa fase vinha se mostrando problemática, sempre deficitária ao que seria de se esperar. O Estado do Rio de Janeiro, na contramão, teve um retrocesso significativo e preocupante. É motivo de comemoração não só o que o índice mostrou, mas a existência do próprio índice. Sem ele, estaríamos desbussolados. Por meio do Ideb ficamos cientes do que precisamos melhorar, mas ele também enfatiza as ações postas em andamento que resultaram em êxito. A educação básica compreende a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio (tudo aquilo que precede o ensino superior). Por isso, o ensino médio passa pelo crivo do Ideb e do Enem, este, específico para o ensino médio. Constitui parte do Ideb a aplicação de uma prova – o Saeb – além de outras pontuações. O simples fato de o aluno ser avaliado, e cientificado da finalidade da aplicação, faz dele mais vígil. Ele passa a perceber que está no ambiente escolar não para passar o tempo, mas existe um propósito que justifica sua presença ali. A existência de um escore impacta o estudante psicologicamente. A aprovação no vestibular não é sorte e nem espelha uma dedicação aos estudos num lapso de trinta dias. O ingresso no curso desejado, na universidade preferencial, espelha uma construção que se dá ao longo de anos, dia por dia. O Ideb atende ao intuito de fazer prova, perante organismos internacionais, de que o Brasil e os brasileiros estão empenhados em atingir um padrão mínimo global. Estamos no século vinte e um, e o atual nível da técnica, e das relações comerciais internacionais, exige um mínimo de capacidades dos agentes econômicos. É para isso que estamos preparando a moçada. Em qualquer projeto importante é recomendável e absolutamente preciso que façamos diagnósticos periódicos, para encaminhar os ajustes oportunos e adequados. A intervenção deve ser precisa e qualificada. Em alguma medida, o governo federal tem feito a parte que lhe cabe, ainda que não vivamos no melhor dos mundos possíveis. Políticas bem formuladas e professores engajados são elementos-chave para o sucesso da educação. Mas, depreciação salarial de professores, e outros atores da educação, e subfinanciamento da política de educação são coisas com as quais uma educação de qualidade não se compatibiliza. Para a educação funcionar bem é preciso, outrossim, que as demais políticas públicas venham desempenhando suas funções com esmero, e de modo articulado. E além de tudo isso, tem o Ideb que acontece dentro de casa: os pais devem ser apoiadores e cobradores dos seus filhos. Em muitas casas simplesmente não há um espaço físico adequado para o cultivo e o hábito do estudo. As famílias não dispõem de internet, e padecem com outras dificuldades. Os pais do estudante são oriundos de um ambiente e de um histórico de vida em que não houve nenhum planejamento contemplando a atividade estudantil. Coloca-se o filho na escola simplesmente porque é lei, ou ambos os pais trabalham fora, e não têm com quem deixar seus filhos. No contraturno, não raro, o aluno desenvolve alguma atividade remunerada para complementar a renda familiar. Também há aquelas famílias em que a criança ou o adolescente fica pregado ante as telas, seja de celular ou televisão. Nesse último caso, os pais devem conversar com seus filhos para que eles se conscientizem de que, de certo modo, estão na melhor fase de suas vidas. Estão a dispor de tempo integral para os estudos, e na confortável posição de quem recebe um tesouro, o conhecimento humano até aqui estruturado. Uma educação levada a sério tem o condão de colocar o Brasil e os brasileiros em relações comerciais, econômicas, políticas, diplomáticas, jurídicas, etc, mais paritárias e mais sinalagmáticas. Educação é luz!

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