Jornal Liberdade
Hábitos de leitura do brasileiro

Hábitos de leitura do brasileiro

A relevância da leitura para a constituição do nosso próprio ser

Cléverson Israel Minikovsky
14 de setembro de 2026
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Informação publicada no portal de R7, em 02 de setembro de 2026, divulga dados de uma pesquisa sobre leitura no Brasil, promovida pelo Instituto de Pesquisa Nielsen Book Data. De acordo com a fonte referida, 18 milhões de brasileiros passaram a ler mais com e-books e audiobooks. Em termos proporcionais, 43% dos leitores de e-books e 45% dos leitores de audiobooks, passaram a ler muito mais com a mudança de formato (no caso, os formatos a pouco aludidos). Foram consultados 3 mil brasileiros de várias classes sociais, gênero e regiões do país. Os dados mostram que o baixo percentil de leitores não pode ser totalmente explicado por razões idiossincráticas, como baixo interesse, apatia, baixa tendência de valorização de produtos culturais, etc. Tudo isso existe, mas isso não é o todo. Se a mudança de formato se reflete no aumento da leitura, isto significa que muitos indivíduos passaram a ler em razão da facilidade de acesso ou pelo barateamento em relação ao exemplar físico tradicional. Uma mudança de paradigma tecnológico refletida nos usos e costumes culturais de um povo exibe o potencial de novas metodologias. É promissor pensarmos e executarmos novas formas de chegar ao leitor. Se as pessoas não leem, não é sempre e necessariamente por falta de ânimo. Há, recorrentemente, fortes obstáculos ao potencial leitor que desejaria desenvolver o hábito de ler. Esse obstáculo pode ser falta de dinheiro, de tempo, de um ambiente adequado, e por aí vai. A título de comparação, pessoas que sempre desejaram adquirir fluência em um segundo idioma, ou, conforme o caso, em vários (poliglotia), postergaram a realização do seu desejo até encontrarem um aplicativo como duolingo ou talkpal. A maior barreira, para a maior parte das pessoas, era o custo e o formato tradicional das aulas, ainda a espelhar concepções pedagógicas do século XIX, um simulacro do ambiente fabril industrial. Poder realizar atividades de estudo em ambientes remotos é oportunizar o uso de um tempo que ficaria ocioso, caso inexistisse a faculdade do contorno ofertado pelo aparelho móvel que o interessado leva consigo. Fato, é que a maior parte da população tem que saltar da cama logo cedo, para obter os meios de vida. E a cultura tem de caber e se adaptar aos intervalos dessa batalha laboral. Se fosse só uma questão de escolha, muitos e muitos dedicariam tempo integral ao estudo. Não no fazem porque essa opção não é existencialmente viável. Se, por exemplo, o direito autoral não fosse algo a ser observado, se a cópia reprográfica fotostática (vulgo, Xerox) não fosse tão cara, a reprodução livre mostrar-se-ia ótima opção ao livro da vitrina da livraria. No entanto, não há possibilidade física barata. Nem a pirataria consegue reprimir o preço elevado. Em razão destes fatores, é que o Brasil é um país de muitos autores e poucos leitores. Fico feliz que nesta campanha eleitoral um candidato escritor, agitando a bandeira da terceira via, ache-se na terceira colocação nas intenções de voto para presidente da república. Com certeza, o “ser escritor” passa algum crédito ao eleitor. Espera-se de um escritor que ele tenha o pensamento mais estruturado do que os seus pares que com ele concorrem. Platão queria que os reis fossem filósofos e que os filósofos fossem reis. Não sei até que ponto Augusto Cury pode ser chamado de “filósofo” na acepção ordinária, mas, sem a menor dúvida, é um escritor. Feliz o país cujos governantes são escritores e os governados são leitores. A realidade nacional mostra que boa parte da leitura praticada no Brasil é a compulsória, aquela que se exige dos cursos de graduação para atividades avaliativas. Sendo assim, quem multiplica universidades, como faz Lula, o campeão em abrir novas universidades e ampliar as antigas, por fás ou por nefas, amplia o público leitor, amplia publicação de livros, faz acontecer a leitura, essa praxe tão imprescindível para tudo, inclusive para o exercício da cidadania. Leitura é luz!

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