Jornal Liberdade
A cruz: o resumo de tudo

A cruz: o resumo de tudo

A teologia como missão integral

Cléverson Israel Minikovsky
10 de setembro de 2026
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As ciências humanas e sociais constituem um patrimônio gnosiológico riquíssimo. Da vista colorida e panorâmica de toda essa literatura, o que se destaca aos meus olhos é o pensamento crítico e aquele que se debruça sobre a questão social. Os autores mais bem conceituados enaltecem a questão social, fazendo dela o que há de mais digno de atenção. O problema dessa abordagem é que ela atropela a teologia e seus dogmas mais fundamentais. Dias atrás, eu assistia a um documentário sobre Cuba, e algumas pessoas entrevistadas foram os(as) filhos(as) dos capitães da revolução. Os filhos dos revolucionários, eles mesmos, agora, já são idosos. E eles choravam, olhando para trás, não só em função dos problemas reais que o arquipélago enfrenta agora, senão muito mais, porque os tempos áureos se passaram. Aliás, toda glória humana é passageira. Mais que isso: quem viveu muitos anos bem sabe que em determinado dia, ainda que nossa alma não queira, nosso corpo nos forçará a nos despedirmos desse planeta. E essa verdade inafastável e inquietante deve aborrecer muito a quem não deposita fé na transcendência. Se estamos no mundo, é porque o mundo importa. Mas a relevância do mundo toma forma apenas na medida em que compreendemos que o telúrico está encetado para o celestial. Fazer o bem, aqui e agora, faz sentido, porque este é o comando que parte dos céus. Ficar preso à horizontalidade e privar-se da verticalidade é, teoricamente, tão avassalador, como se pudéssemos extrair de um modelo tridimensional uma das suas dimensões, fazendo, de uma confortável câmara, uma mera tela. Erro tão crasso, como aquele postulado por um intelectual assecla do materialismo histórico, cuja teoria não reserva espaço para a transcendência, é o daquele teólogo, que nutre profunda paixão pelas teologias dogmática e sistemática, relegando a questão social para fora da porta do templo. Digo “templo”, justamente porque é um termo plurívoco. Ele pode se referir à estrutura predial chamada igreja, ou ao nosso corpo, habitáculo do Espírito Santo. In casu, trabalho simultaneamente com as duas hipóteses. Um erro muito comum é reduzir a questão social a um fator de ordem econômica. Pobreza não é só passar fome ou sofrer com escassez de recursos financeiros e materiais. A pobreza se desdobra em privação cultural, em ignorância severa, os traumas que atravessam a existência dos sujeitos menos afortunados se lhe apegam na qualidade de imaturidade emocional, instabilidade comportamental e mental, na qualidade de despreparo para a vida. Na sua acepção mais ampla: como membro ou chefe de uma família, como profissional, como cidadão, etc. Para bilhões de terráqueos, Jesus Cristo continua sendo um escândalo. Como pode Deus abrir mão de sua dignidade e vestir-se com o corpo de um homem? Quando Jesus Cristo rezava, ele orava para si mesmo? O cristianismo é a religião mais perfeita. Deus se torna homem, e o homem se torna Deus. É na intersecção dos dois madeiros da cruz, horizontal e vertical, que reside a verdade. Deus é onisciente e onipresente, porque Ele não exclui nada. Todos os fatores importam. O materialismo passional do século dezenove, no dia de hoje, mais parece uma brasa que se apagou. As pessoas são materialistas no seu estilo de vida, mas, como teoria, o materialismo está na UTI das grandes ideias humanas. Com maior frequência, temos testemunhado uma espiritualidade e um modo de ser comunidade cristã, sem ação social, no máximo com trabalhos caritativos, mas sem transformação das estruturas de exploração do homem pelo homem. Logo mais se aproxima uma eleição. Desafio os cristãos e as pessoas de boa vontade a refletirem sobre o que escrevi neste artigo. Cristianismo engajado e ativo é luz!

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