Elevação de Trilhos
Pensando um modo novo de viabilizar trânsito e transporte de bens e pessoas.
Matéria jornalística produzida por Ânderson Silva, e publicada no sítio de NSC, em 15 de abril de 2026, informa que o prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola (PSD), foi até Brasília, conversar com a autoridade competente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), sobre um projeto de alteração no traçado ferroviário. A ideia seria elevar os trilhos em até sete metros de altura, para evitar conflitos de interseção com outros traçados, por exemplo as rodovias de uso de veículos de locomoção terrestre sobre pneumáticos. A elevação dos trilhos também consideraria as comunidades que residem à margem da ferrovia, que além de serem marcadas pelo risco de um acidente, outrossim, encontram-se, no geral, em condição de vulnerabilidade social. As diretrizes filosóficas do projeto, portanto, seriam proporcionar mobilidade urbana e segurança. O projeto foi orçado, inicialmente, em R$ 250 milhões. Metaforicamente, a concepção do projeto foi apelidada de “ferrovia nas alturas”. Não sei se esses trens farão apenas transportes de carga, ou também de pessoas. No segundo caso, quem estiver dentro dos vagões, olhará para a paisagem a partir de um viés de verticalidade. Nas cidades onde passam ferrovias por dentro do perímetro urbano, é comum o munícipe ter de ficar quinze minutos ou mais, ante a ferrovia, vendo o trem passar, e, de quebra, chegar atrasado a um compromisso. O traçado sobre o solo tem o inconveniente de requisitar para si sempre a preferência, em natureza da inércia do comboio. E essa característica tem pesado nas reuniões em que as metodologias de transporte no Brasil são decididas. O traçado elevado resolve esse inconveniente. No passado não havia nem tecnologia e nem recursos para cogitar o traçado elevado. É esse tipo de investimento em infraestrutura que faz de um dado lugar um verdadeiro país. Otimiza-se a logística e o cuidado às pessoas. Em Maringá, por exemplo, a solução encontrada consistiu na metodologia oposta: rebaixar a linha férrea, fazendo-a passar por dentro de um túnel. Nada impede, eventualmente, a depender da topografia do lugar, que ambas as alternativas sejam adotadas num mesmo projeto. Em cidades com grande circulação no bairro Centro, o que se poderia fazer, seria elevar as ruas por que passam os veículos, deixando o plano térreo livre para os pedestres. Fico feliz por saber que, o prefeito de uma importante cidade de Santa Catarina, dignou-se visitar Brasília, para buscar recursos para a região. O amor ao povo falou mais alto do que eventuais vaidades frívolas. A visão de país falou mais alto do que o pequeno pensamento provinciano. Nossa república jamais será um país integrado, enquanto houver uma única região malservida de infraestrutura de transportes. Tão importante quanto a infraestrutura portuária, é preciso que o extremo oeste do Estado, e todas as demais regiões integrantes da unidade federativa mencionada, estejam ligados até o litoral. E as ferrovias apresentam-se como oportunidades de realizar essa concepção. O produzir supõe que o produto encontre meios de chegar até o consumidor final. É o tipo de investimento que em pouco tempo se paga. O desembolso retorna acrescido ao erário. Quanto mais o poder estatal propicia desenvolvimento socioeconômico, mais cresce a arrecadação. A China tem mirado muito o sul global, e a América Latina está dentro desse olhar. A China é um país habituado a investir em infraestrutura. Isso é ótimo. É o oposto da visão capitalista. Os norte-americanos, pelo contrário, são tipificados pelo olhar predador, pelo lucro rápido. Quando o gigante asiático referido investe em infraestrutura, aqui onde moramos, isso gera um efeito cascata, e, para não perder a parceria, outros países detentores de grandes capitais passam a replicar o mesmo modelo de intervenção. Quem abre uma empresa, quer estar servido de infraestrutura de transporte, saneamento básico, água, energia, comunicação, acessibilidade a bens em geral e serviços em geral. E, como numa empresa trabalham pessoas concretas, com potenciais e necessidades, é desejável e imprescindível que haja equipamentos de saúde, de assistência social, de segurança, que haja escolas, farmácias, comércios. O conceito de “cidade quinze minutos” requer elevação de trilhos, pois, como eu poderia encontrar no meu próprio bairro, num raio a ser percorrido a pé em quinze minutos, tudo de que preciso, se entre mim e o que procuro está a passar o trem, transcendendo o lapso temporal de quinze minutos? Como se vê, o referencial teórico implode logo ali, por onde passa o trilho. Uma democracia eficiente é selada por isso, por um resultado eleitoral que redunda no empoderamento de pessoas cujo foco repousa sobre o planejamento. Iniciativas políticas como essa, merecem divulgação. A luz precisa brilhar!
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