Jornal Liberdade
A enorme disputa pelo conhecimento das nanorrealidades

A enorme disputa pelo conhecimento das nanorrealidades

Os avanços da ciência: eletrônica, fotônica e isotópica

Cléverson Israel Minikovsky
03 de agosto de 2026
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ELETRÔNICA: Aproveito o ensejo para recapitular o óbvio, isto é, para lembrar que a palavra “eletrônica” vem de “elétron”. O avanço da eletrônica permitiu a miniaturização de componentes de equipamentos vários. Placas de memória e microprocessadores tornaram-se realidade pelo desenvolvimento de itens de modesta extensão em comparação com sua capacidade. O que antes ocupava um prédio inteiro, agora cabe no bolso, na bolsa da madame, refiro-me ao celular e tudo o que ele pode fazer.

FOTÔNICA: Se posso derivar “eletrônica” de “elétron”, por que não extrair “fotônica” de “fóton”? A realidade linguística, - e científica – já o fez! Existe, hoje, um campo de estudo (e aplicação) chamado “fotônica”. Fótons são “pacotes” de luz, os famosos “quanta” de que se ocupa a “física quântica”. Atualmente, no Brasil, para ser bem específico, na Embrapa, emprega-se a fotônica para aprimoramento da agricultura nacional. Se a genética define a qualidade de nossas lavouras, a fotônica vem a ser mais um meio de ingerência sobre o DNA de nossos plantéis.

ISOTÓPICA: O amável leitor lembra-se das aulas de química orgânica, do ensino médio? Tínhamos que descobrir o número de prótons, de nêutrons e a massa dos elementos químicos, sendo informados sobre quem era isótono de que, quem era isóbaro de quem e quem era isótopo de quem. A “isotópica” é a disciplina que se debruça sobre os “isótopos”. Pois saiba que os agentes do IBAMA têm feito uso de análise isotópica para descobrir de que lugar a madeira ilegal é extraída. Isso permitirá colocar em marcha diligências mais assertivas e mais efetivas.

Do átomo puramente conceitual, da filosofia antiga grega, ao uso tecnológico que se faz a partir do conhecimento científico sobre as realidades microscópicas, seja ofertando diagnósticos mais precisos na área de saúde, seja no uso militar, avançamos da especulação ao know-how. O conhecimento de que estamos a falar, portanto, não é um mero estado de consciência, é um manancial de saberes pelos quais fazemos a natureza trabalhar a nosso favor. Enquanto os Estados Unidos da América compram, de várias nações, o sigilo e a abstenção de vender máquinas de pesquisa e de produção industrial, calcadas em princípios de nanociência, para a China e outras potências não-ocidentais, o mencionado gigante asiático busca construir seu próprio caminho. A forma como o poder se distribui no planeta está ancorada no grau de desenvolvimento da nanociência pelos países. Parece-me ser bastante consequente a metodologia, que visa a controlar e fazer acontecer resultados, ter como ponto de partida a própria realidade na sua instância mais elementar, a atômica. Em qualquer ramo de conhecimento, a abordagem analítica está entre as bem-vindas. É o que advoga Cartésio, em O Discurso do Método. A falta de conhecimento sobre as nanorrealidades, até o presente momento, tem menos a ver com uma espécie de preconceito ou menosprezo epistemológico do que com a falta dos instrumentos adequados para promover esse conhecimento que, agora, desponta com tanta força. A dar crédito à perspectiva positivista, segundo a qual a humanidade perfez o trajeto teologia-filosofia-ciência, quiçá, daqui para frente, possamos retomar a teologia, crendo que Aquilo de que nos afastamos resida, precisamente, nessas minúsculas estruturas que começamos a conhecer. Muito se fala em mudança climática, contemporaneamente. É o tema científico sobre o qual a mídia mais tem dado ênfase. Ocorre que a mudança climática, por mais que seja um fenômeno macro, acontece no âmbito atômico. Isto significa que esse conhecimento não se presta apenas à desenvoltura de novas tecnologias, senão também, e acima de tudo, à compreensão do funcionamento do mundo físico e a como restabelecer o equilíbrio quebrado. Nos séculos passados, as grandes mudanças no mundo passavam por guerras, e, mais recentemente, pelo domínio colonial das potências europeias. Nas últimas décadas, contudo, mudanças profundas e avassaladoras estão sendo promovidas pela evolução nas tecnologias. A força sutil tem exibido muito maior força do que a força bruta. Como o formigame que ataca as folhas das árvores de que se alimentam os elefantes, vergastando os hábitos alimentares desses grandes e vorazes vegetarianos, assim a física atômica reconfigura a posição das grandezas de exorbitante escala. “Tirar a trava do próprio olho para então enxergar e ajudar o outro a enxergar”, como aconselha o Evangelho, é não só um exercício de autocrítica, mas também o reconhecimento de que os elementos de singela magnitude podem impactar em muito a nossa própria vida. Reconhecer essa situação é luz (ou melhor seria falar em “fotônica”?).

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