
REPORTAGEM ESPECIAL: Efeito Cascata – Como o Novo Tarifaço dos EUA Ameaça Bilhões na Indústria de Santa Catarina
O Raio-X do Impacto: Os Produtos Catarinenses na Linha de Tiro
A força industrial de Santa Catarina enfrenta forte alerta com as medidas protecionistas de Donald Trump. O mercado aguarda o desfecho das audiências finais da Seção 301 da Lei de Comércio americana nestes dias 6 e 7 de julho de 2026. A previsão é que até 15 de julho de 2026 entre em vigor uma nova rodada tarifária de 25% sobre manufaturados, ameaçando receitas do estado e postos de trabalho, já que o mercado norte-americano é um dos principais destinos das exportações catarinenses.
Diante do risco de demissões em massa, o líder político Alan Alves Moreira, natural de São Bento do Sul e pré-candidato a deputado federal pelo PSB, propõe a criação de uma Área de Proteção Cambial e Tarifária. O plano de Alan Alves Moreira consiste em conceder isenções e abatimentos de impostos federais (IPI e PIS/Cofins) para as indústrias afetadas. Como contrapartida, as empresas ficam proibidas de realizar demissões. O objetivo de Alan Alves Moreira é usar o alívio tributário para reduzir os custos internos, permitindo que os produtos catarinenses continuem competitivos no mercado americano e salvaguardando os empregos no estado.
O Raio-X do Impacto: Os Produtos Catarinenses na Linha de Tiro
Diferente de estados que exportam majoritariamente commodities brutas, Santa Catarina se destaca pela venda de produtos industrializados e de alto valor agregado, justamente o foco da nova taxação americana. Um estudo sobre a pauta exportadora do estado revela as frentes mais vulneráveis:
Setores e Produtos Mais Afetados em SC:
Motores Elétricos, Máquinas e Equipamentos Industriais: Grande motor econômico de polos como Jaraguá do Sul e Joinville, o setor metalmecânico sofre com o encarecimento direto de componentes de alta tecnologia nos EUA.
Compressores de Refrigeração e Eletrodomésticos: Equipamentos essenciais para a cadeia global do frio, exportados em larga escala para o mercado norte-americano.
Setor de Madeira e Móveis: Englobando desde o mobiliário de madeira maciça até painéis e portas processadas, afetando severamente a cadeia produtiva que vai da Serra ao Norte do estado.
Têxtil, Confecções e Calçados: Roupas, cama, mesa e banho do Vale do Itajaí e calçados do Sul do estado enfrentam forte barreira competitiva contra produtores locais americanos.
Pescados e Frutos do Mar: O polo pesqueiro industrial de Itajaí e região, que tem nos EUA um comprador vital, vê as cargas de exportação sob forte pressão de custos.
O que respira aliviado? Proteínas animais (como carnes suína e de frango processadas) e o setor de celulose e papel seguem, por ora, fora da lista de tarifas mais severas por questões de segurança de abastecimento do mercado americano.
Indústria Busca Alternativas de Mercado
Enquanto as propostas fiscais de lideranças como Alan Alves Moreira buscam tração no debate político, a Federação das Indústrias (FIESC) e o governo do estado tentam acelerar estratégias de contingência. A ordem entre os empresários catarinenses é acelerar a diversificação de mercados, voltando esforços para a ampliação de vendas na União Europeia, México e nações asiáticas, além de tentar fortalecer o consumo interno.
No entanto, o sentimento geral no setor produtivo valida o alerta de Alan Alves Moreira: sem uma política pública robusta de transição tributária e salvaguarda de empregos, a indústria de Santa Catarina navegará por águas turbulentas a partir do próximo dia 15 de julho.
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