
ALTAR INVISÍVEL
Ele veio e não quer mais sair. Pagamos para que nos escravise e desejamos que assim permaneça.
O ALTAR INVISÍVEL
SECCIONAMOS ESTE ARTIGO EM DUAS PARTES DISTINTAS: A PRIMEIRA, UMA CRÍTICA REAL PARA SERVIR COMO REPLEXÃO; A SEGUNDA, A MESMA REPLEXÃO EM FORMA DE HISTÓRIA EM QUADRINHOS COM BOA DOSE DE BOM HUMOR; HAVERÁ UMA TERCEIRA, NA PRÓXIMA, EDIÇÃO ONDE O CELULAR PASSA A SER NOSSO ALIADO, ÚTIL E BEM-VINDO, POIS TODO BANDIDO SEMPRE TEM UM LADO BOM.
Recebemos todos os dias, de leitores que leram o artigo anterior sobre o uso inadequado do celular, relatos que não são apenas comentários. São gritos de alerta.
1. CRIANÇA TRISTE.

Adulto frustrado é o futuro de uma criança que não viveu a infância?
Crianças que desaprenderam a viver com uma tela na mão. Andam curvadas, não pelo peso da mochila, mas pelo peso de um aparelho que lhes roubou o olhar.
Já não querem estudar porque o mundo real lhes parece lento demais.
Já não se alimentam direito porque a fome que sentem é outra.
Dormem mal, acordam irritadas, sonham com pesadelos que não são delas, mas que o algoritmo lhes entregou.
2. JOVEM DESANIMADO.

O jovem é oco porque não aprendeu alimentar seu espírito.
Jovens atravessam as ruas como sonâmbulos, com o rosto iluminado por uma luz fria. Passam uns pelos outros sem se verem, sem um bom dia, sem uma palavra. A conversa humana, cara a cara, voz a voz, está se tornando uma língua em extinção. Muitos já não querem trabalhar, não querem construir, só querem um atalho virtual para o dinheiro fácil.
E o que é mais doloroso: uma legião de adultos fez exatamente a mesma escolha.
3. MÃE IMPIEDOSA.

Não temos prazer nenhum em publicar esta imagem cruel, que é real em todos os cantos nos dias atuais. Que sirva como reflexão profunda! Aquele pequeno ser indefeso, que chora implorando o carinho da mãe, é totalmente dependente dela.
Vimos mães que silenciam o choro do filho para não perder o som de uma notificação.
Pais que trocam o abraço dos filhos pelo brilho de uma tela. Famílias inteiras sentadas à mesma mesa, cada um exilado em seu próprio mundo.
Esse pequeno deus de vidro e metal ergueu seu altar na palma da nossa mão. E de lá, ele comanda. Ele dita o que devemos querer, quando devemos sentir, o que devemos temer. Ele nos oprime com uma tirania doce e constante.
E a maior tragédia de todas não é a opressão em si. É que o escravo se acostumou com as correntes. Não só se acostumou, como as defende, as alimenta e implora para que nunca lhe sejam tiradas.
Nenhum outro deus jamais conseguiu tamanho feito como o deus celular: conquistar toda a humanidade de uma vez só.
VAMOS, ENTÃO PARA A HISTÓRIA EM QUADRINHOS.
Zico e Zeca filosofavam na varanda.
TREM DO ELÓI MUSGO
Zico e Zeca, dois compadres, trocavam ideias na varanda.

5. FEIJÃO QUEIMADO
E, sabe cumé, né? Cunversa vai, cunversa vem, a prosa tá boa, mas arguma coisa vai pagá o pato!

Enquanto isso lá na floresta, até os bichos usavam o celular.
E, também, a confusão já começava até no meio do mato.
6. MAS TINHA UMA VANTAGEM.
Os bichos aprenderam rastrear os humanos!

Alô, macacada! Tem gente a pouco mais de um quilômetro!
E DESVANTAGENS.

E, assim, começaram as confusões e brigas.
7. E, TAMBÉM AS ONÇAS FORAM RASTREADAS.

ATENÇAO: ONÇA NAS PROXIMIDADES. TODO MUNDO PRÁ CIMA DOS GALHOS!
8. ROTA DE FUGA
A onça já estava muito próxima. Quem não quiser virar almoço da pintada, é melhor fugir.

POR AQUI, CAMBADA! ESTA É A MELHOR ROTA DE FUGA!
Nas aldeias a coisa estava funcionando bem. encomendavam aipim, batata, arcos e flexas via telefone.
9. COMUNICAÇÃO ENTRE ALDEIAS

Como é que pode? O Jequibá está lá na outra aldeia e eu o vejo aqui no celular.
10. MOCOMBO REATREADO
Tiriba, a mulher de Mocombo, andava desconfiada.

11. MOCOMBO DESCOBERTO

12. VINGANÇA DE MOCOMBO

Quando Eloi Musgo soube que o celular estava causando brigas e confusões na floresta, apressou-se em descer lá no meio da mata para apaziguar a situação.
13.ELOI MUSGO DESCENDO DE FOGUETE

Mas, acontece que não deu certo. Ninguém aceitou as propostas e ficou feio prô lado do Musgo. Já estavam até preparando o panelão para fazer uma boa sopa dele.
14. FUGA DE ELOI MUSGO

15. FUGA DO CELULAR
E, até na cidade o celular teve que dar no pé.

Na próxima edição veremos a utilidade do celular.
Obrigado! Abraços de Celso e de Mariana!


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