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Supersafra e limite de cotas antecipam fim do arrasto de praia da tainha em SC; Governo Federal recua e libera cota extra

Supersafra e limite de cotas antecipam fim do arrasto de praia da tainha em SC; Governo Federal recua e libera cota extra

Por Alan Alves Moreira

Alan Alves Moreira
10 de junho de 2026
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Florianópolis (SC) – 10 de junho de 2026 A temporada da pesca artesanal da tainha (Mugil liza) na modalidade de arrasto de praia em Santa Catarina viveu dias de intensa movimentação e reviravoltas políticas nesta semana. Após o Governo Federal determinar a suspensão imediata da atividade no último domingo (7), uma forte pressão de pescadores, prefeituras e parlamentares catarinenses fez os ministérios recuarem, anunciando a liberação de uma cota extra para a categoria.

​A paralisação forçada ocorreu depois que o Painel de Monitoramento do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) apontou que o volume de capturas havia atingido 90% da cota nacional estipulada para 2026. Atingido esse teto preventivo, o protocolo exige a interrupção da modalidade para evitar a sobrepesca e garantir a sustentabilidade da espécie, que é gerida em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

​O Fenômeno da "Supersafra" em 2026

​O real motivo para a interrupção tão precoce — a temporada de arrasto de praia começou em 1º de maio e deveria seguir até o final de julho — não foi a escassez de peixes, mas o oposto. O litoral catarinense registrou grandes "lanços" logo nas primeiras semanas da safra.

​A alta concentração de cardumes nas praias fez com que a cota global estipulada em aproximadamente 1,1 mil toneladas fosse consumida em apenas 38 dias. O ritmo acelerado esbarrou nos limites burocráticos e ambientais de Brasília, gerando protestos generalizados em ranchos de pesca e praias tradicionais do estado, como em Florianópolis e Balneário Camboriú.

​"Tivemos uma supersafra onde o preço do peixe chegou a despencar pela alta oferta. Encerrar a pesca de forma abrupta geraria um prejuízo financeiro e social sem precedentes para centenas de famílias que dependem desses três meses para garantir o sustento do ano inteiro", argumentaram representantes do setor pesqueiro na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).

​Reação Política e a Cota Extra

​A suspensão gerou forte reação do Governo de Santa Catarina, que ameaçou acionar a Justiça para derrubar a portaria federal, repetindo o embate jurídico ocorrido em safras anteriores. Deputados estaduais classificaram a medida como "um ataque à tradição e à dignidade do pescador catarinense", alegando falta de diálogo com as comunidades litorâneas.

​Diante do racha político e dos protestos, o Governo Federal confirmou a ampliação do limite e a liberação de uma cota adicional de captura. Com a medida regulatória de exceção, os ranchos de pesca e as embarcações de arrasto de praia estão autorizados a retomar os cercos para tentar concluir o período migratório do peixe.

​Especialistas em biologia marinha alertam, no entanto, que o sistema de cotas por modalidade (arrasto de praia, emalhe anilhado e cerco/traineira) continua sendo a única ferramenta legal para impedir o colapso da população de tainhas no Sul e Sudeste do Brasil, exigindo um monitoramento rígido dos desembarques nos portos e praias até o fechamento definitivo da temporada.

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