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Análise Política Regional

Análise Política Regional

o Planalto Norte Sem Voz no Parlamento

Alan Alves Moreira
18 de julho de 2026
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A Fragmentação nas Urnas: Como o Voto Disperso Mantém o Planalto Norte Sem Voz no Parlamento

A histórica falta de representação do Planalto Norte catarinense e de municípios vizinhos importantes, como São Bento do Sul, Canoinhas e Mafra, encontra sua explicação mais clara no comportamento do eleitorado nas urnas. O fenômeno da fragmentação do voto — em que o eleitor local escolhe candidatos de fora da região — é apontado por analistas como a barreira invisível que impede a eleição de deputados federais e estaduais da própria terra.

Para compreender o tamanho desse "vazamento" de votos, é preciso olhar os números do colégio eleitoral da microrregião.

O Potencial das Urnas e o Destino dos Votos

Somando municípios do Planalto Norte (como Papanduva, Mafra, Canoinhas, Porto União) e adicionando a força eleitoral de São Bento do Sul e cidades vizinhas do Planalto Norte, a região concentra um volume expressivo de votantes. Nas eleições gerais, esse bloco regional de municípios tem capacidade de gerar, em média, de 200 mil a 250 mil votos válidos.

O cálculo matemático para se eleger um deputado varia pelo quociente eleitoral, mas os números mostram que esse montante regional seria mais do que suficiente para garantir cadeiras cativas na Assembleia Legislativa (ALESC) e na Câmara dos Deputados. No entanto, o resultado prático costuma ser bem diferente:

Votos para Candidatos de Fora (Estimativa histórica): Levantamentos de dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC) mostram que cerca de 60% a 70% dos votos válidos para deputados federais e estaduais nessa região vão para candidatos que não têm base, domicílio ou compromisso histórico no Planalto Norte. São os chamados "candidatos paraquedistas", que somam pequenas votações em cada cidade e levam essa riqueza política embora.

Votos que Ficam na Casa: Os candidatos genuinamente locais costumam reter apenas 30% a 40% do bolo de votos da região. Além da concorrência externa, essa minoria de votos ainda se divide entre múltiplos candidatos da própria terra, pulverizando as chances de qualquer um deles atingir a votação necessária para se eleger.

O Diagnóstico Técnico da Exclusão

Políticos e cientistas políticos locais coincidem em uma análise de que o Planalto Norte e São Bento do Sul sofrem com uma "cultura de desunião" partidária que favorece caciques políticos do litoral, do oeste e do sul do estado.

"Temos votos suficientes para eleger representantes de peso. O problema não é o tamanho da nossa população, é para onde esse voto está indo", aponta a análise.

Enquanto municípios de outras regiões concentram seus votos em poucas lideranças regionais para garantir a vaga, o Planalto Norte distribui seus votos para dezenas de candidatos externos. O resultado prático em números é cruel: a região ajuda a eleger parlamentares de fora que, após a posse, naturalmente priorizam os investimentos em suas verdadeiras bases eleitorais, deixando Papanduva e os municípios vizinhos à mercê das "sobras" de emendas.

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