
Uma boa maneira de começar
Quando o estudo é o caminho mais viável
Notícia de 05 de agosto de 2026, no site da CNN, teve como título “Nordeste é a região que mais buscou por ‘ENEM’ no Google no último ano” e, como subtítulo, “Pesquisa pelo termo é 50% maior na região em comparação com as demais”. Sulista por nascimento, costumo ver, aqui em nossa região, um pendor ao trabalho, com o qual, sistematicamente, enfrentamos todo tipo de demanda. O amadorismo, em muitas das vezes, é compensado pela vontade resoluta e pelo esforço determinado. Tenho muita admiração por essa postura. No entanto, nisso me pareço com os nordestinos: acredito que pensar antes de agir, e estudar antes de trabalhar, facilita exponencialmente nossa vida. Pelo que informamos acima, fica visível o perfil da estratégia adotada pelos compatriotas na região nordeste. Pelas nossas mãos ganha forma o “que”, mas pela nossa cabeça delineia-se o “como”. Ferramentas, máquinas, veículos, são a interposição entre o trabalhador e a natureza que sofre a intervenção. Não nos esqueçamos, porém, que conceitos, teorias, fórmulas, metodologias, são mediações abstratas tão ou mais poderosas do que as mediações concretas referidas. Pela experiência pessoal que tenho, percebo que vale à pena dedicar tempo ao estudo, mesmo quando ele não tem aplicação. É a velha história: leia o manual, mesmo que esteja decidido a desconsiderá-lo. A geografia nordestina não tem a mesma predisposição de cooperar com seus habitantes, como outras regiões brasileiras. Isso impacta o viés dos autóctones, que passam a preferir investir e apostar em si próprios a lutar com um entorno pouco grato e ressequido. Renato Cartésio foi direto: a razão é o que há de mais bem distribuído. A instância mental, a mais importante de todas, coloca os nordestinos em paridade com todos os demais cidadãos da República Federativa do Brasil, o que vem sendo explorado pelos residentes desse tradicional território. Atitude esta que revela muita inteligência, e esperteza mesmo. O processo de apropriação e domínio do mundo passa, em primeiro lugar, pelo mental. Os estudantes catarinenses de ensino médio, no geral, não aplicam a dedicação e a atenção que seriam devidas aos estudos. Não raro, estudam em colégios particulares e fazem cursos paralelos à formação ordinária, de modo displicente, para não dizer desleixados. Mesmo aqueles alunos de famílias mais humildes poderiam explorar melhor o que é ofertado na rede pública. O município conta com bibliotecas públicas que poderiam e deveriam ser mais frequentadas. Os adolescentes nordestinos despertaram para essa realidade e têm demonstrado mais consciência existencial e foco nos estudos, uma vez compreendidos como antecâmara para a vida laboral e cidadã. Talvez a estreiteza de opções da vida adulta tenha fustigado precocemente essas vidas em desenvolvimento para o óbvio, a necessidade de ocupar um lugar economicamente relevante na sociedade. Mentalidades obsoletas, transmitidas de geração a geração, de acordo com as quais estudo não serve para nada, induzindo o jovem a pensar que a escola é uma perda de tempo, e que a vida merecedora de ser levada a sério começa no primeiro serviço, embaçam a percepção da valia das atividades pedagógicas. Entendo que a partir do primeiro ano do ensino fundamental, todo início de calendário escolar fosse marcado por um evento de conscientização, a ocorrer, de preferência, no primeiro dia de aula. O estudante deveria ser alertado e exortado para a realidade do vestibular. Desde tenra idade o estudante deve estar ciente de que o ingresso para um bom curso é o vestibular, do mesmo modo que uma carreira profissional de sucesso reflete ter passado por uma boa graduação. As regras precisam ser claras. Só assim o estudante saberá o que está fazendo dentro da sala de aula. Em comunidades retiradas, longe dos centros urbanos, não raro, o adolescente não sabe o que é nem vestibular, e nem universidade. O estudante precisa conhecer o mercado de trabalho e tudo o que uma universidade pode oferecer. Se passamos de uma sociedade com mercado para uma sociedade de mercado, é desejável, e imperioso, que o jovem seja informado sobre os mecanismos de funcionamento do contexto socioeconômico de que participa, voluntária ou involuntariamente. Com a democratização do computador e da internet, e agora somos agitados pelos vagalhões da IA, passamos a ter o mundo inteiro dentro de casa. E esse recurso valioso e quase infinito está sendo subaproveitado. Aprender a usar a internet e todas as suas possibilidades também importa. A internet parece ter todas as respostas, e agora precisamos aprender a fazer as perguntas. Precisamos aprender a trabalhar e lutar com aquilo que já temos, e que não é pouca coisa. A inércia é a maior de todas as nossas inimigas. Temos um arsenal de meios éticos e legítimos para alcançar nossos mais desejados objetivos, de “a” a “z”. Ninguém fica tateando, sob o sol do meio-dia, à busca de uma caixa de fósforos e vela. O de que se trata, é dessa singeleza, enfim.
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