Jornal Liberdade
RIO NEGRINHO - CATÁSTROFE

RIO NEGRINHO - CATÁSTROFE

Temos passado por momentos difíceis, mas nossa resiliência sempre vence a luta.

Celso e Mariana
06 de novembro de 2026
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RIO NEGRINHO – CATÁSTROFES.

Interrompemos a sequência de artigos sobre o uso do celular para manifestarmos sentimentos e desejos alentadores aos que sofreram e sofrem com as intempéries que se abateram sobre Rio Negrinho e que a tanta gente roubou seus telhados, suas casas, seus bens, seu sossego e até a vida.

Eu (Celso) estou escrevendo este texto graças ao incentivo de minha esposa Mariana, colunista deste jornal, e ao incentivo de minha filha Virginia que me alavancou para dentro de tão delicado tema e, também, com uma boa ajuda da IA produzindo ou aperfeiçoando meus desenhos e ilustrações.

A primeira parte refere-se às injúrias que proferimos quando abrimos a boca para vociferar culpas, quando criamos um falso Deus castigador e damos força ao maligno.

A segunda parte refere-se à realidade das várias situações adversas que nos atingem e, então, acessamos ao verdadeiro Deus amoroso e companheiro. 

O texto é um pouco longo, mas vale a pena ler tudo com atenção até o final.

Enchentes, vendavais, tempestades, chuvas de granizos e outras manifestações naturais aterradoras, de vez em quando, nos atingem com força.

Você, provavelmente, já ouviu pessoas dizendo:

1. Por que Deus permite que isso aconteça?

A maioria de nós, seres humanos, temos o péssimo costume de sempre culpar alguém outro. Nos consideramos isentos de culpa. É mais fácil culpar os outros do que assumir a responsabilidade.

     "Por que Deus permite que isso aconteça?" Isso é acusar a Deus. É colocá-Lo no banco dos réus. O erro aqui é achar que Deus está lá em cima com um controle remoto da chuva. Se choveu, foi Ele que apertou o botão pra nos castigar.

Mas não foi. Vivemos num mundo caído, quebrado, que geme. Romanos 8:22 diz: "a criação geme".                                                                    A chuva, o vento, a telha que voa, fazem parte de uma natureza que é linda, mas instável. Deus não prometeu nos livrar da tempestade. Ele prometeu estar conosco DENTRO dela.

Quando perguntamos "por que permitiu?", nunca teremos uma resposta completa desse lado da vida. E a pergunta só aumenta a raiva.

2. Onde estava Deus durante a tempestade?

Por que será que é tão difícil reconhecer a presença do Altíssimo nos vários momentos da nossa vida?

3. Isso é coisa do diabo!

Assim se manifestando, o homem inventa duas mentiras ao mesmo tempo:

1. Uma contra Deus - para culpá-Lo.

2. Outra a favor do Diabo - para dar poder a ele.

E as três frases que você ouviu são essas duas mentiras em ação:

Isso é coisa do diabo!

Isso é dar força ao diabo.

Se a gente diz que o diabo manda na chuva, no vento, na natureza, a gente está fazendo do diabo um Deus. Estamos dando a ele onipotência. E ele não tem.

O diabo na Bíblia não é criador de nada. Ele não manda na natureza. Ele acusa, ele tenta, ele mente. Quem manda na natureza é só Deus, e Ele não fica usando a natureza para castigar pessoas.

Quando dizemos "é coisa do diabo" para tudo, nós tiramos a responsabilidade humana, tiramos a glória de Deus que é o único que pode reconstruir e damos força ao diabo.

Diante da tragédia nós fazemos duas coisas erradas: culpamos Deus que quer nos ajudar e endeusamos o diabo que quer nos destruir.

A chuva não foi Deus nos castigando. E não foi o diabo mostrando poder. Foi a natureza frágil desse mundo que geme.

Deus não mandou o vento, mas foi o primeiro a chegar depois do vento. Então não vamos gastar nosso tempo perguntando POR QUE isso aconteceu. Vamos perguntar: COMO vamos reerguer juntos? Porque é aí que Deus está.

"Onde estava Deus quando isso aconteceu?"

Essa pergunta parece igual à primeira, mas é diferente. E é a pergunta certa.

A primeira pergunta procura um culpado. A segunda acusa mas, também, procura um consolador.

Onde estava Deus? Estava exatamente onde Ele sempre esteve: sofrendo junto. Na cruz Deus não assistiu a dor de longe. Ele entrou nela. Ele estava no vizinho que abriu a porta. Na Defesa Civil que trabalhou a noite toda. Na senhora que fez café para quem perdeu o telhado. Se a gente procurar, a gente acha.

O QUE O VENTO NÃO LEVOU!

QUANDO O VENTO LEVA O QUE É NOSSO - E LEVA QUEM AMAMOS

Para quem perdeu seus bens:

Se você hoje está olhando para sua casa destelhada, para o guarda-roupa molhado, para o fogão cheio de barro, para o que sobrou da sua luta de anos espalhado no chão... eu quero te dizer uma coisa simples e verdadeira: eu sinto muito!

Não vou te dizer que "foi pouca coisa" ou que "o material a gente recupera". Porque não é pouca coisa. Era sua casa. Era sua história. Cada telha tinha um suor. Cada parede tinha uma lembrança. É justo que você chore. É justo que você fique cansado, irritado, sem saber por onde começar.

Mas olhe em volta. O que o vento não conseguiu levar? Ele não levou sua vida. Não levou sua família. Não levou seu nome. Não levou a capacidade que você tem, e que sua gente tem, de recomeçar.

O telhado é frágil. A telha quebra. A madeira entorta. Mas a sua dignidade não. O que você é, vale mais do que o que você perdeu.

As mãos humanas erguem a telha, mas tem Mãos maiores de luz ajudando por cima. É para dizer: você não reconstrói sozinho. Deus está com a mão na telha junto com você. 

Você não vai reconstruir sozinho. Ninguém aqui vai. Uma telha vem do vizinho. Um abraço vem da igreja. Um prato de comida vem de quem você nem conhecia. É assim que a gente se levanta: um segurando o braço do outro.

Não tenha vergonha de pedir ajuda. Pedir ajuda agora é um ato de coragem. E aceitar ajuda é permitir que o outro também seja abençoado por te ajudar.

Devagar, uma telha por vez, a casa volta. E quando voltar, ela vai ter uma história a mais para contar: a história de como a comunidade inteira colocou a mão.

Para os amigos e familiares do nosso irmão que morreu no posto de combustível:

Hoje não existem palavras que consertem. Existe silêncio. Existe respeito. Existe choro. Um homem saiu para trabalhar. Como fazia todos os dias. Honestamente. Para sustentar os seus. E no seu local de trabalho, onde ele deveria estar seguro, o teto caiu. E ele se foi.                                                  É uma dor que revolta. É uma dor que não faz sentido. É uma morte que não deveria ter acontecido. Para a esposa, para os filhos, para os pais, para os colegas do posto que viram tudo: que Deus abrace vocês agora de um jeito que ninguém mais consegue abraçar.

Não foi culpa de vocês. Não foi falta de oração. Não foi porque Deus esqueceu dele. Foi uma tragédia brutal, de um mundo que também é frágil e que às vezes nos fere sem explicação.

A Bíblia não nos promete que vamos entender tudo. Mas nos promete que Deus recolhe cada lágrima. Salmo 56:8 diz que Deus guarda nossas lágrimas num odre. Nenhum choro de vocês hoje está sendo ignorado no céu. O que esse homem plantou em vida, com seu trabalho honesto, com sua presença simples, continua. Continua nos filhos, na sua ex-esposa. Continua nos amigos. Continua na lembrança de quem abasteceu o carro e recebeu um bom dia dele.

A morte levou o corpo, mas não levou o que ele foi. O que ele foi, fica e vai continuar sendo.

Nós, como comunidade, temos duas obrigações sagradas agora: cuidar com carinho de quem ficou e não deixar que a memória dele seja só a do dia da tempestade, mas a de toda uma vida de trabalho e dignidade.

Para todos nós a tempestade passou. Mas ela deixou duas marcas: o prejuízo e o luto.

 O prejuízo a gente reconstrói juntos.

 O luto a gente carrega juntos.

 Que nunca mais a gente passe por uma casa destelhada sem parar. Que nunca mais a gente veja uma família desabrigada e finja que não é com a gente. Que o vento que arrancou telhado não arranque da gente a compaixão. O Senhor é o nosso refúgio, fortaleza e socorro bem presente na angústia. Salmo 46:1. Não porque Ele impediu o vento, mas porque Ele não nos abandona depois do vento.                                            Vamos ficar juntos. Até o último telhado ser colocado. Até o último coração enlutado ser consolado.

PARA QUEM PERDEU OS BENS - Deus junto na reconstrução material.

De cima, a destruição. No centro, o povo de mãos dadas em círculo. E a sombra desse povo forma um telhado gigante de luz protegendo a todos. Essa é a teologia toda: Deus é nosso refúgio através das pessoas. Quando nos damos as mãos, viramos telhado um para o outro.

      PARA A FAMÍLIA DO TRABALHADOR DO POSTO - Luto com dignidade e esperança.

Essa imagem é a mais sensível. Não mostra a queda, não mostra violência. Mostra o que ficou: o local ferido agora com uma árvore de luz nascendo dentro, e a família abraçada sendo envolvida por um manto de luz. Uma estrela no céu. É a dor que ainda dói, mas já é cuidada por Deus. O trabalho dele virou semente.

   O FINAL - A esperança que renasce no meio da lama.

No meio da rua toda destruída, com casas ainda sendo erguidas, uma criança coloca uma flor numa mesa com toalha branca limpa e pão. É surreal, mas verdadeiro: a vida insiste em voltar. A mesa posta no meio da lama diz: vamos voltar a comer juntos. Vamos voltar a ter lar. Deus está nesse recomeço simples.

"EU VIM PARA QUE TODOS TENHAM VIDA!" - Jesus - João 10:10

Olhe com calma tudo que está nessa imagem, porque cada detalhe é uma pregação:

À esquerda, o posto. Destruído. Mas com velas acesas. É o lugar do luto. É a homenagem ao nosso irmão que morreu trabalhando. Não foi esquecido. Tem luz ali. Tem flor. Tem respeito. Jesus desce primeiro ali, onde a dor foi maior.

À direita, a casa sendo reconstruída, tijolo por tijolo, por homens, mulheres e crianças. É a reconstrução material. A vida voltando com as próprias mãos.

No meio, o povo. Uns chorando abraçados, outros ajudando, outros só de mãos dadas. É a comunidade. É a reconstrução espiritual.

E no centro do céu, Jesus descendo. Não é um Jesus distante. Ele está descendo, vindo ao encontro. Os braços abertos não são de quem vai embora, são de quem chegou para abraçar. A luz que sai dEle não destrói, ela faz nascer flor no meio do entulho. Olhe no chão: onde a luz toca, nasce florzinha branca.

Que maravilha ter a certeza de que Ele está junto dos aflitos. Ele não veio para explicar a tempestade. Ele veio para que, mesmo depois da tempestade, todos tenham vida. Vida que continua. Vida que resiste. Vida que reconstrói. Vida que não termina no teto que caiu, porque tem eternidade.

 Ele subiu dizendo: EU ESTAREI CONVOSCO. - Promessa de presença.

Ele desceu dizendo: EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA. - Promessa de futuro.

  Na verdade, Ele sempre esteve presente, dentro e fora de nós. Nós é que não tivemos olhos para enxerga-Lo!

 VAMOS RECOMEÇAR JUNTOS. TODOS NÓS E DEUS!

Muito obrigado! Abraços com todo respeito e carinho de Celso, Mariana e Virgínia!

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