Jornal Liberdade
DESINVESTIR NO BRASIL: QUANDO O EMPREENDEDOR COMEÇA A FAZER A CONTA. PARAGUAI?

DESINVESTIR NO BRASIL: QUANDO O EMPREENDEDOR COMEÇA A FAZER A CONTA. PARAGUAI?

Existe um momento em que o empresário deixa de perguntar quanto pode ganhar com um novo investimento e começa a perguntar quanto do patrimônio já construído precisa continuar exposto. por Francisco Guerios

Francisco Guerios
06 de novembro de 2026
43 visualizações

Desinvestir no Brasil: quando o empreendedor começa a fazer a conta

Existe um momento em que o empresário deixa de perguntar quanto pode ganhar com um novo investimento e começa a perguntar quanto do patrimônio já construído precisa continuar exposto.

Essa mudança pode acontecer depois de anos de trabalho, reinvestimento e enfrentamento de problemas que pouco têm a ver com o produto ou o cliente. O empreendedor percebe que sua energia está sendo consumida pela defesa da operação, enquanto projetos de expansão ficam para depois.

É nesse ponto que surge uma pergunta legítima: faz sentido continuar concentrando capital, empresas e futuro no Brasil?

O custo que não aparece no balanço

Uma empresa pode apresentar lucro e, ainda assim, exigir um esforço desproporcional de seu proprietário.

O balanço registra despesas com funcionários, impostos, fornecedores e financiamento. Mas raramente mostra as horas gastas em conflitos, a atenção desviada para resolver impasses ou as oportunidades abandonadas porque o empresário precisa permanecer disponível para sustentar o que já existe.

Esse custo importa. O capital tem limite, e a capacidade pessoal de administrar problemas também.

Quando o crescimento depende de uma presença cada vez maior do fundador, é preciso avaliar se o patrimônio está produzindo liberdade ou exigindo mais compromissos.

Desinvestir pode começar sem uma venda

A decisão não precisa ser imediata nem total.

Pode começar pela suspensão de novos aportes em projetos que ainda não demonstraram viabilidade. Pode envolver a venda de ativos pouco produtivos, a redução de operações que dependem excessivamente do proprietário ou a escolha de reinvestir apenas nos negócios com retorno e governança mais claros.

Também pode incluir a diversificação geográfica de receitas e patrimônio.

São decisões diferentes. Encerrar uma empresa lucrativa, vender um imóvel sem uso e deixar de financiar um projeto deficitário não produzem o mesmo resultado. Colocar tudo sob a palavra “saída” pode esconder escolhas que merecem ser feitas separadamente.

A pergunta precisa mudar de escala

O empresário costuma analisar cada negócio individualmente: esta empresa dá lucro? Esta terra vai valorizar? Este projeto pode crescer?

Mas o conjunto também precisa fazer sentido.

Uma pessoa pode possuir bons ativos e, mesmo assim, carregar uma concentração excessiva de riscos. Empresas, imóveis, contratos e renda podem depender da mesma região, do mesmo ambiente econômico e da sua própria capacidade de intervenção.

Por isso, avaliar o patrimônio exige olhar além do valor estimado de venda. É preciso considerar liquidez, renda, necessidade de novos aportes e tempo de gestão.

O exterior também precisa passar pelo teste

A insatisfação com o Brasil não torna automaticamente bom um investimento em outro país.

Há custos de entrada, diferenças tributárias, regras locais, exposição cambial e mercados que o investidor ainda não conhece. A distância pode dificultar o controle de um negócio. Uma estrutura internacional mal planejada pode acrescentar complexidade sem reduzir os riscos que motivaram a mudança.

A comparação precisa ser feita entre alternativas concretas: quanto custa manter, quanto custa sair e o que será possível fazer com o capital depois.

Preservar a capacidade de escolher

Desinvestir merece planejamento. Antes de executar, é necessário avaliar contratos, obrigações, custos de transação e efeitos sobre clientes, funcionários e família.

Também exige reconhecer quando um investimento continua recebendo dinheiro apenas porque já consumiu muito dinheiro no passado.

Empreender inclui construir, expandir e contratar. Inclui também encerrar ciclos, vender e mudar a alocação do capital.

A decisão de permanecer precisa ser tão consciente quanto a decisão de sair.

Depois de anos construindo patrimônio, o empreendedor tem o direito de perguntar onde seu próximo investimento encontrará condições compatíveis com o retorno, a tranquilidade e a liberdade que procura.

Compartilhar:

Comentários

0/1000

Seu comentário passará por moderação antes de ser publicado.

Carregando comentários...