
Chega a 95% a chance do El Niño muito forte
Aumenta a probabilidade de temporais e chuva volumosa
Uma atualização de monitoramento do El Niño foi divulgada pelo Centro de Previsões Climáticas dos Estados Unidos (CPC/NOAA). De acordo com o relatório, a temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4 (área do Oceano Pacífico utilizada como referência) ficou em 1,8°C acima da média em agosto, valor que caracteriza um El Niño forte.
Com o rápido aquecimento que vem sendo observado, a previsão indica probabilidade acima de 95% do El Niño atingir intensidade muito forte (anomalia acima de 2,0°C) entre setembro e dezembro.
Histórico?
A agência afirma, ainda, que o fenômeno continua se intensificando até o fim deste ano, com 75% de chance de um El Niño histórico. Com um evento dessa magnitude, aumenta ainda mais a probabilidade de ocorrência de impactos associados ao fenômeno, como temporais e chuva volumosa no Estado. O acompanhamento do El Niño considera diferentes regiões do Pacífico Equatorial, com destaque para a região Niño 3.4, uma das principais referências utilizadas pela NOAA.
A intensidade do fenômeno não é definida por uma temperatura observada em um único dia ou semana. Para isso, são utilizados índices que consideram a média das anomalias de temperatura do mar ao longo do mês, combinado a avaliação da persistência deste aquecimento.
Anomalias
De forma simplificada, valores acima de 0,5°C, na região Niño 3.4, indicam a formação do El Niño, enquanto anomalias maiores correspondem a diferentes categorias de intensidade:
-Fraca: 0,5 a 1,0°C
-Moderada: 1,0 a 1,5°C
-Forte: 1,5 a 2,0°C
-Muito forte: acima de 2,0°C
Convecção
Além do oceano, a NOAA também considera a resposta da atmosfera. O El Niño ocorre quando o aquecimento do Pacífico está associado a mudanças consistentes nos ventos, na convecção e na distribuição das chuvas.
Os efeitos do El Niño já são perceptíveis, uma vez que o mês de agosto terminou com volumes acima do que normalmente é esperado nesta época. A região com os maiores desvios foi parte da Grande Florianópolis, onde a precipitação superou a média em 160 a 200 mm. A tendência é que esse cenário se repita no decorrer de setembro.
Primavera e verão
Nos meses de primavera e verão, a intensificação do El Niño requer maior atenção em relação às chuvas e aos temporais, já que naturalmente esse período é mais chuvoso. Com isso, tende a aumentar ainda mais a frequência de episódios de chuva e, consequentemente, os volumes totais. Assim, aumenta também o risco para ocorrências associadas à chuva volumosa, como inundações e deslizamentos, além de temporais com vendaval.
Diante desse cenário, a Defesa Civil e a Epagri/Ciram mantêm o monitoramento das condições oceânicas e atmosféricas, destacando a necessidade de acompanhar diariamente os avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.
Comentários
Faça login ou cadastre-se para deixar seu comentário.



