
Brasileiros que transferiram recursos para o Paraguai após as eleições enfrentam bloqueios com a crise do Ueno Bank
Por Alan Alves Moreira
Brasileiros que transferiram recursos para o Paraguai após as eleições enfrentam bloqueios com a crise do Ueno Bank
Por Alan Alves Moreira, Jornal A Liberdade
6 de novembro de 2026
A recente intervenção e processo de liquidação do Ueno Bank, decretados pelo Banco Central do Paraguai (BCP), acenderam um alerta para brasileiros que decidiram transferir capital ou mudar de país após o período eleitoral recente. A instituição financeira paraguaia, apontada como um dos maiores bancos digitais da região, teve suas atividades suspensas por problemas graves de insolvência.
A crise no sistema bancário do país vizinho gerou dúvidas, desinformação e apreensão entre os correntistas estrangeiros.
O que motivou o fechamento do banco paraguaio?
Insolvência e Gestão Irregular: O BCP interveio após identificar que o teto de capital do Ueno Bank caiu para menos da metade do exigido por lei. O banco realizou operações de crédito de alto risco e concedeu empréstimos irregulares a empresas do próprio grupo controlador (Grupo Vázquez).
Escândalo Político: O caso provocou desdobramentos no governo paraguaio, incluindo investigações criminais contra executivos, a renúncia do presidente do Banco Central local e forte pressão sobre autoridades políticas.
Bloqueio de Contas: Todas as operações, aplicativos e cartões do banco foram congelados, deixando cerca de 2,9 milhões de clientes sem acesso imediato aos fundos.
Situação do dinheiro e o mito do "Nubank"
Nas redes sociais, circularam boatos associando o caso ao Nubank. Trata-se de uma informação falsa: a fintech brasileira não atua no mercado paraguaio e não sofreu nenhuma sanção do governo local. O impacto ocorreu exclusivamente no Ueno Bank.
Quanto ao dinheiro dos correntistas:
Fundo de Garantia Paraguaio: O país conta com o Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), que assegura o ressarcimento de até 228,3 milhões de guaranis (aproximadamente R$ 200 mil ou US$ 38 mil) por CPF ou documento cadastrado. Esse teto cobre a maior parte das contas de pequeno e médio porte.
Sem Cobertura do FGC Brasil: Por se tratar de uma instituição estrangeira, os depósitos mantidos no Paraguai não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) do Brasil. Qualquer ressarcimento depende estritamente dos prazos e trâmites da autoridade monetária paraguaia.
Valores Acima do Teto: Brasileiros que enviaram montantes elevados e superiores ao limite do FGD dependem da liquidação dos bens do banco para tentar reaver o saldo remanescente, sem garantia de prazo ou devolução integral.





