Jornal Liberdade
A ligação da região com o grande esquema de corrupção

A ligação da região com o grande esquema de corrupção

Operação Mensageiro completou três anos recentemente

Da Redação
18 de maio de 2026
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Os fatos que deram origem à investigação da Operação Mensageiro vieram à tona ainda em 2021, durante a Operação Et Pater Filium, que revelou um importante esquema de corrupção no Planalto Norte catarinense.

Na ocasião, um dos prefeitos investigados formalizou acordo de colaboração premiada, confessou os crimes apurados e apresentou novas provas sobre um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo um grupo empresarial ligado à prestação de serviços públicos. O esquema operou principalmente em municípios como Major Vieira, Canoinhas, Bela Vista do Toldo, Itaiópolis e Porto União.

 

Ofensivas

As revelações abriram caminho para uma das maiores ofensivas contra a corrupção já realizadas em Santa Catarina. Três anos após a deflagração da Operação Mensageiro, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) divulgou um balanço apontando novos desdobramentos das investigações e o avanço na responsabilização de agentes públicos e empresários suspeitos de envolvimento em crimes contra a administração pública.

 

Balanço

Entre abril de 2025 e abril de 2026, foram ajuizadas 22 novas ações penais, envolvendo 53 denunciados. O grupo inclui 14 ex-prefeitos, três ex-vice-prefeitos, 18 outros agentes públicos e empresários apontados como integrantes do núcleo privado da organização investigada. As acusações ultrapassam 500 crimes, relacionados principalmente a fraudes em licitações, contratos públicos e pagamento de propina.

 

Avanço

No mesmo período, também houve avanço nas condenações. Segundo o MPSC, sete novas sentenças condenatórias foram proferidas — cinco pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) e duas em primeira instância. Além disso, dois acórdãos confirmaram condenações já determinadas anteriormente. Somadas, as penas ultrapassam 895 anos de prisão.

Entre os condenados estão um prefeito em exercício, cinco ex-prefeitos e dois ex-secretários municipais. Para o Ministério Público, os resultados demonstram o avanço do processo de responsabilização de agentes que ocupavam cargos estratégicos em administrações municipais.

Outro marco citado pelo órgão foi o trânsito em julgado das condenações de três réus, incluindo um ex-prefeito de Itapoá, encerrando a possibilidade de recursos e consolidando a responsabilização penal nesses casos.

 

Ações penais

Atualmente, a Operação Mensageiro reúne 53 ações penais em tramitação. Destas, 12 já tiveram julgamento, embora ainda possam ser alvo de recursos, enquanto outros 10 processos aguardam decisão judicial após o encerramento da fase de instrução.

 

Origem das investigações

Deflagrada em dezembro de 2022, a Operação Mensageiro nasceu a partir de elementos obtidos pela Operação Et Pater Filium, conduzida no ano anterior no Planalto Norte catarinense. A partir do acordo de colaboração firmado por um dos prefeitos investigados, o Ministério Público obteve informações sobre um esquema envolvendo suposto pagamento de propina por um grupo empresarial que atuava em contratos públicos.

Segundo as investigações, a organização mantinha atuação em áreas como coleta e destinação de resíduos, abastecimento de água e iluminação pública em municípios catarinenses e também em outras regiões do país.

 

Sexta fase

Em agosto de 2025, a operação chegou à sexta fase, com prisões preventivas de empresários e cumprimento de mandados de busca e apreensão contra servidores, ex-servidores e agentes políticos suspeitos de manter práticas ilícitas.

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