MP anuncia ação de improbidade contra Juliana Maciel
Divulgação ocorreu na mesma noite em que ela renunciou ao cargo de prefeita de Canoinhas
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) anunciou na noite de terça-feira (31) ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra a prefeita de Canoinhas, Juliana Maciel (PL, à direita da foto), com pedido liminar para a suspensão de uma nomeação supostamente irregular. A 3ª Promotoria de Justiça da comarca aguarda a manifestação do Poder Judiciário.
O objetivo é que a esposa do secretário municipal de Governo, Gestão e Relações Institucionais seja exonerada da função comissionada de Coordenadora Pedagógica do Centro de Atendimento e Intervenção Multidisciplinar, findando um aparente caso de nepotismo – conduta que compromete os princípios constitucionais de impessoalidade, moralidade e isonomia no serviço público.
Não acatou
A ação de improbidade administrativa foi ajuizada depois que a prefeita de Canoinhas optou por não acatar uma recomendação extrajudicial expedida pelo promotor Marcos José Ferreira da Silva, que atua na área da moralidade administrativa. O argumento usado pela agente política foi o de que não havia vínculo hierárquico entre o casal.
“Isso, porém, não se sustenta, afinal uma análise da estrutura organizacional do Município de Canoinhas mostrou que o Centro de Atendimento e Intervenção Multidisciplinar, onde a esposa trabalha, submete-se funcionalmente à Secretaria de Governo, Gestão e Relações Institucionais, chefiada pelo marido”, afirma o MP.
Afronta
“Não há como dissociar essa relação funcional entre ambos. A tentativa de afastar a configuração de nepotismo com argumentos meramente formais não resiste a uma análise rigorosa da estrutura administrativa. Situações como essa afrontam diretamente os princípios que regem a administração pública e fragilizam a confiança da sociedade nas instituições”, explica o promotor.
Perdeu o emprego
O MPSC apurou, ainda, que a nomeação para o cargo comissionado teria sido feita logo depois que a mulher perdeu o emprego em uma escola particular, o que leva a crer que “o interesse pessoal de amparar a cônjuge do afiliado político foi a motivação real da prefeita de Canoinhas”, conforme narra a ação de improbidade administrativa.
“Buscou-se, inicialmente, a solução pela via extrajudicial, com a expedição de recomendação, justamente para evitar a judicialização do caso. No entanto, diante da recusa em corrigir a irregularidade, não restou alternativa senão levar a questão ao Judiciário para assegurar o respeito à legalidade e à moralidade administrativa”, conclui o promotor de Justiça.
Anulação
No mérito da ação de improbidade administrativa, o MPSC requer a anulação definitiva da nomeação e a condenação da Prefeita de Canoinhas ao pagamento de uma multa por dano moral coletivo a ser revertida ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados.
Renúncia
Pouco após o anúncio do MPSC, a Prefeitura de Canoinhas publicou em seu site oficial que Juliana Maciel renunciou ao cargo “para cumprir os prazos da legislação eleitoral como pré-candidata”. A vice Zenilda Lemos (União Brasil, à esquerda da foto) assumiu no lugar dela como prefeita.



