Jornal Liberdade
MP anuncia ação de improbidade contra Juliana Maciel

MP anuncia ação de improbidade contra Juliana Maciel

Divulgação ocorreu na mesma noite em que ela renunciou ao cargo de prefeita de Canoinhas

Da Redação
02 de abril de 2026
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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) anunciou na noite de terça-feira (31) ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra a prefeita de Canoinhas, Juliana Maciel (PL, à direita da foto), com pedido liminar para a suspensão de uma nomeação supostamente irregular. A 3ª Promotoria de Justiça da comarca aguarda a manifestação do Poder Judiciário. 

O objetivo é que a esposa do secretário municipal de Governo, Gestão e Relações Institucionais seja exonerada da função comissionada de Coordenadora Pedagógica do Centro de Atendimento e Intervenção Multidisciplinar, findando um aparente caso de nepotismo – conduta que compromete os princípios constitucionais de impessoalidade, moralidade e isonomia no serviço público. 

 

Não acatou

A ação de improbidade administrativa foi ajuizada depois que a prefeita de Canoinhas optou por não acatar uma recomendação extrajudicial expedida pelo promotor Marcos José Ferreira da Silva, que atua na área da moralidade administrativa. O argumento usado pela agente política foi o de que não havia vínculo hierárquico entre o casal. 

“Isso, porém, não se sustenta, afinal uma análise da estrutura organizacional do Município de Canoinhas mostrou que o Centro de Atendimento e Intervenção Multidisciplinar, onde a esposa trabalha, submete-se funcionalmente à Secretaria de Governo, Gestão e Relações Institucionais, chefiada pelo marido”, afirma o MP.

 

Afronta

“Não há como dissociar essa relação funcional entre ambos. A tentativa de afastar a configuração de nepotismo com argumentos meramente formais não resiste a uma análise rigorosa da estrutura administrativa. Situações como essa afrontam diretamente os princípios que regem a administração pública e fragilizam a confiança da sociedade nas instituições”, explica o promotor. 

Perdeu o emprego

O MPSC apurou, ainda, que a nomeação para o cargo comissionado teria sido feita logo depois que a mulher perdeu o emprego em uma escola particular, o que leva a crer que “o interesse pessoal de amparar a cônjuge do afiliado político foi a motivação real da prefeita de Canoinhas”, conforme narra a ação de improbidade administrativa. 

“Buscou-se, inicialmente, a solução pela via extrajudicial, com a expedição de recomendação, justamente para evitar a judicialização do caso. No entanto, diante da recusa em corrigir a irregularidade, não restou alternativa senão levar a questão ao Judiciário para assegurar o respeito à legalidade e à moralidade administrativa”, conclui o promotor de Justiça. 

 

Anulação

No mérito da ação de improbidade administrativa, o MPSC requer a anulação definitiva da nomeação e a condenação da Prefeita de Canoinhas ao pagamento de uma multa por dano moral coletivo a ser revertida ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados. 

 

Renúncia

Pouco após o anúncio do MPSC, a Prefeitura de Canoinhas publicou em seu site oficial que Juliana Maciel renunciou ao cargo “para cumprir os prazos da legislação eleitoral como pré-candidata”. A vice Zenilda Lemos (União Brasil, à esquerda da foto) assumiu no lugar dela como prefeita.

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