
SC deve ter 4,4 mil novos casos de câncer de mama
Diagnóstico em fase inicial eleva para até 90% as chances de cura
Santa Catarina deve somar 4.460 novos diagnósticos de câncer de mama ao longo de 2026, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Em todo o País, a previsão passa de 78 mil casos. Os números, ganham destaque durante o Outubro Rosa, campanha que mobiliza o mês em torno da prevenção e da detecção precoce da doença, fator decisivo para o tratamento: quando o tumor é identificado no início, a possibilidade de cura pode alcançar 90%.
O avanço das mortes também acende o alerta. Dados do Inca apontam que o câncer de mama tirou a vida de 21.668 brasileiras em 2025, um crescimento de 39% em relação a 2015. Em uma década, a taxa de mortalidade subiu de 14,8 para 19,5 óbitos a cada 100 mil mulheres, patamar que se mantém praticamente estável desde 2022.
No Estado, segundo a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) mapeou quem são as pacientes. A idade média é de 54 anos, a maioria é branca e cerca de 30% têm casos da doença na família.
Histórico familiar
A mastologista e ginecologista Rebeca Neves Heinsen, ouvida pela Agência Alesc, alerta que a ausência de casos entre parentes não afasta o risco, e que o acompanhamento médico deve ser feito por todas as mulheres. Como a probabilidade de desenvolver a doença cresce com a idade, consultas e exames são indicados mesmo sem sintomas.
A mamografia segue como principal ferramenta de rastreamento, capaz de apontar alterações suspeitas antes que se tornem perceptíveis. A idade para começar e a frequência dos exames variam conforme as recomendações vigentes e o perfil de cada paciente. A médica reconhece que o exame pode ser desconfortável e que o medo do resultado afasta muitas mulheres, mas defende que isso não deve servir de motivo para adiar o cuidado.
Hábitos que fazem diferença
Entre as medidas que ajudam a reduzir o risco, a especialista cita a prática regular de atividade física, o controle do peso, sobretudo após a menopausa, além de evitar o consumo de álcool e o cigarro.
Ela também esclarece que o autoexame mensal não é considerado método de rastreamento e não substitui a mamografia. Ainda assim, observar o próprio corpo ajuda a mulher a reconhecer o que é normal e a notar mudanças. Devem ser avaliados por um profissional de saúde sinais como nódulos nas mamas, retração recente do mamilo, alterações na pele e caroços nas axilas.
Campanha prevista em lei
Em Santa Catarina, o Outubro Rosa foi oficializado pela Lei Estadual 16.028/2013, que também inclui a prevenção do câncer do colo do útero entre os temas da campanha. A mensagem, segundo a especialista, é que os cuidados se estendam pelos 12 meses do ano.
Foto Bruno Collaço/Agência Alesc




