Jornal Liberdade
Qualidade de vida expõe desigualdade no acende alerta para gestores públicos

Qualidade de vida expõe desigualdade no acende alerta para gestores públicos

O resultado revela uma realidade desconfortável

JL
26 de maio de 2026
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O novo Índice de Progresso Social (IPS Brasil) 2026, divulgado na última quarta-feira (20), trouxe um retrato que merece reflexão e preocupação no Planalto Norte catarinense. O levantamento, elaborado pelo instituto Imazon em parceria com outras organizações, avaliou os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais, medindo não a riqueza das cidades, mas a efetiva entrega de qualidade de vida à população.

O resultado revela uma realidade desconfortável: apesar dos discursos sobre desenvolvimento e crescimento econômico, boa parte dos municípios da região ainda enfrenta dificuldades significativas para garantir condições adequadas de vida aos seus moradores.

O IPS mede a capacidade da sociedade de atender necessidades humanas básicas, assegurar qualidade de vida e criar oportunidades para que as pessoas desenvolvam seu potencial. Em outras palavras, o índice avalia se os serviços públicos realmente chegam ao cidadão.

Segundo Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil, o foco está nos resultados e não apenas no volume de investimentos.

O IPS mede resultados e não volume de investimentos ou riqueza. O que nos interessa é saber se os serviços públicos estão sendo efetivamente entregues aos cidadãos”, destacou.

Planalto Norte abaixo do esperado

Os números mostram diferenças expressivas dentro da própria região.

Entre os municípios do Planalto Norte, São Bento do Sul aparece na melhor posição, ocupando o 251º lugar nacional, com índice de 67,51 pontos. Na sequência aparecem Rio Negrinho (581º – 65,99) e Campo Alegre (764º – 65,32).

Já municípios tradicionais da região aparecem em posições que levantam questionamentos sobre a efetividade das políticas públicas.

Mafra surge apenas na 1.518ª colocação, com 63,31 pontos. Mais abaixo estão Itaiópolis (2.747º – 60,62) e, em situação ainda mais delicada, Major Vieira (3.734º – 58,56).

Os dados mais preocupantes envolvem municípios como Papanduva (4.147º – 57,58), Monte Castelo (4.101º – 57,72) e Santa Terezinha (4.104º – 57,71), posicionados entre os índices mais baixos do país.

Muito além da arrecadação

Os resultados do IPS expõem uma contradição recorrente: municípios podem apresentar arrecadação crescente, receber investimentos e anunciar obras, mas ainda assim falhar em transformar esses recursos em avanços concretos na vida da população.

O ranking não mede quantidade de dinheiro disponível nem tamanho da economia local. Mede se existem condições adequadas de saúde, educação, segurança, saneamento, mobilidade, meio ambiente e oportunidades sociais.

No caso do Planalto Norte, os dados sugerem que o crescimento econômico e o discurso político nem sempre caminham no mesmo ritmo da qualidade dos serviços públicos.

Alerta para as administrações

O levantamento deve servir como um alerta para prefeitos, vereadores e gestores públicos da região. Mais do que inaugurações ou anúncios, a população cobra resultados perceptíveis no dia a dia.

Quando municípios permanecem em posições baixas em um índice nacional de qualidade de vida, a discussão deixa de ser apenas estatística e passa a refletir a realidade enfrentada pelas famílias.

O IPS 2026 mostra que o Planalto Norte possui municípios com bom desempenho, mas também evidencia que ainda há um longo caminho para transformar desenvolvimento econômico em progresso social efetivo. Afinal, crescimento sem qualidade de vida dificilmente pode ser chamado de verdadeiro progresso.

 

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