Jornal Liberdade
Paris em chamas!

Paris em chamas!

Meio ambiente e questão social na ordem global

Cléverson Israel Minikovsky
13 de outubro de 2026
67 visualizações

Notícia veiculada em 30 de setembro de 2026, no sítio de Brasil de Fato, informa que o governo de Emmanuel Macron vai cortar do orçamento federal, de 2027, 54.000.000.000 €, o que equivale a R$ 318 bilhões de reais. O cutelo vai cortar a carne, - ou seria melhor falar em salário?,  - do funcionalismo público e dos benefícios sociais. Estudantes secundaristas, servidores e bombeiros protagonizaram as manifestações. A medida nada populista atende a uma reestruturação econômica no contexto da União Europeia. Se Macron não fizer o que está sendo feito, outro, dificilmente o fará. Macron está no final do mandato, e pela lei francesa não pode concorrer à reeleição. Os franceses estão a experimentar precariedade da infraestrutura e perda do poder aquisitivo. Com as queimadas, que refletiram o clima do forte verão que passou, os bombeiros se depararam com instrumentos de trabalho impróprios para seu uso regular. A crise se radica na concreção dos serviços públicos e todo tirante necessário para a sua viabilização, bem como na psiquê coletiva, desiludida pelo desconforto a que foi submetida. A sociedade perde a resiliência justamente quando mais dela necessitaria. “Paris em chamas”, como provoca a chamada da matéria, tem uma leitura literal, desde que se olhe para a flora e fauna reduzida a cinzas, bem como uma leitura analógica, pelo caldeirão de descontentamento social que se tornou a cidade luz. Todo continente europeu vê desabar a longa parceria com os Estados Unidos da América, e a França participa desse processo, como parte relevante de um todo. Berço de grande parte dos movimentos sociais e políticos revolucionários, Paris, e toda a França, assiste à permanência das contradições e dos conflitos sociais. A conflitividade se consubstancia ora na tensão capital versus trabalho, ora na tensão dirigentes versus administrados. Seja lá quem for o opressor, o patrão, o Estado, a Igreja, o exército, os banqueiros, a opressão parece ser insolúvel. Depois de vinte anos enviesados pela esquerda, no Brasil, o eleitor, agora, dá uma guinada à direita. Houve um trabalho tão intenso de desqualificação dos partidos de esquerda, em especial do PT, que o candidato da direita pode tranquilamente ter seus votos imputados pela rejeição ao esquerdismo, e não pelo mérito da direita. Por que digo isso? Porque a história do PT e dos partidos de esquerda não termina na última eleição. Logo mais faremos experiências similares às vividas pelos franceses, e buscaremos a pedra que atiramos mais longe. Eis a verdade. Eis o fato. As pessoas se deixam levar mais por aparência do que pela realidade concreta. Basta ver os números, todos os números, do governo federal nas gestões do PT, e compará-los aos seus homólogos sob dirigentes de direita. A direita explora o rapport, a emoção. Procura-se criar empatia para consigo mesmo e rejeição, aversão ou fobia à ideologia oposta ou ao grupo político oposto, mesmo que esse processo não atenda aos mais mínimos requisitos lógicos ou pensamentais. Se as tendências eleitorais se mantiverem, bem sabemos quem assumirá o executivo federal. As primeiras vítimas? Educação, direitos sociais, meio ambiente, soberania nacional, terras raras, e por aí vai. O mais moço de todos os candidatos presidenciáveis foi o que mais externou lampejos de lucidez e senso de realidade. Tem um ditado que reza: “quando vires a barba do vizinho arder em fogo, põe a tua de molho!” Quem pensa que Paris está distante, engana-se! Quem aprende com os próprios erros é inteligente. Quem aprende com os erros dos outros é sábio. A França, que hoje sofre com problemas sociais (ainda!), só veio a se tornar uma grandiosa nação pelo envolvimento dos cidadãos comuns em mobilizações de grande envergadura. Isto lhe diz alguma coisa? Vamos ficar de camarote ou colocar mãos na massa?

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