
Paris em chamas!
Meio ambiente e questão social na ordem global
Notícia veiculada em 30 de setembro de 2026, no sítio de Brasil de Fato, informa que o governo de Emmanuel Macron vai cortar do orçamento federal, de 2027, 54.000.000.000 €, o que equivale a R$ 318 bilhões de reais. O cutelo vai cortar a carne, - ou seria melhor falar em salário?, - do funcionalismo público e dos benefícios sociais. Estudantes secundaristas, servidores e bombeiros protagonizaram as manifestações. A medida nada populista atende a uma reestruturação econômica no contexto da União Europeia. Se Macron não fizer o que está sendo feito, outro, dificilmente o fará. Macron está no final do mandato, e pela lei francesa não pode concorrer à reeleição. Os franceses estão a experimentar precariedade da infraestrutura e perda do poder aquisitivo. Com as queimadas, que refletiram o clima do forte verão que passou, os bombeiros se depararam com instrumentos de trabalho impróprios para seu uso regular. A crise se radica na concreção dos serviços públicos e todo tirante necessário para a sua viabilização, bem como na psiquê coletiva, desiludida pelo desconforto a que foi submetida. A sociedade perde a resiliência justamente quando mais dela necessitaria. “Paris em chamas”, como provoca a chamada da matéria, tem uma leitura literal, desde que se olhe para a flora e fauna reduzida a cinzas, bem como uma leitura analógica, pelo caldeirão de descontentamento social que se tornou a cidade luz. Todo continente europeu vê desabar a longa parceria com os Estados Unidos da América, e a França participa desse processo, como parte relevante de um todo. Berço de grande parte dos movimentos sociais e políticos revolucionários, Paris, e toda a França, assiste à permanência das contradições e dos conflitos sociais. A conflitividade se consubstancia ora na tensão capital versus trabalho, ora na tensão dirigentes versus administrados. Seja lá quem for o opressor, o patrão, o Estado, a Igreja, o exército, os banqueiros, a opressão parece ser insolúvel. Depois de vinte anos enviesados pela esquerda, no Brasil, o eleitor, agora, dá uma guinada à direita. Houve um trabalho tão intenso de desqualificação dos partidos de esquerda, em especial do PT, que o candidato da direita pode tranquilamente ter seus votos imputados pela rejeição ao esquerdismo, e não pelo mérito da direita. Por que digo isso? Porque a história do PT e dos partidos de esquerda não termina na última eleição. Logo mais faremos experiências similares às vividas pelos franceses, e buscaremos a pedra que atiramos mais longe. Eis a verdade. Eis o fato. As pessoas se deixam levar mais por aparência do que pela realidade concreta. Basta ver os números, todos os números, do governo federal nas gestões do PT, e compará-los aos seus homólogos sob dirigentes de direita. A direita explora o rapport, a emoção. Procura-se criar empatia para consigo mesmo e rejeição, aversão ou fobia à ideologia oposta ou ao grupo político oposto, mesmo que esse processo não atenda aos mais mínimos requisitos lógicos ou pensamentais. Se as tendências eleitorais se mantiverem, bem sabemos quem assumirá o executivo federal. As primeiras vítimas? Educação, direitos sociais, meio ambiente, soberania nacional, terras raras, e por aí vai. O mais moço de todos os candidatos presidenciáveis foi o que mais externou lampejos de lucidez e senso de realidade. Tem um ditado que reza: “quando vires a barba do vizinho arder em fogo, põe a tua de molho!” Quem pensa que Paris está distante, engana-se! Quem aprende com os próprios erros é inteligente. Quem aprende com os erros dos outros é sábio. A França, que hoje sofre com problemas sociais (ainda!), só veio a se tornar uma grandiosa nação pelo envolvimento dos cidadãos comuns em mobilizações de grande envergadura. Isto lhe diz alguma coisa? Vamos ficar de camarote ou colocar mãos na massa?



