
O SER HUMANO TAMBÉM É NATUREZA
Uma das maiores contradições do nosso tempo é tratar o ser humano como se fosse um intruso no planeta que habita. Por Francisco Guerios
Uma das maiores contradições do nosso tempo é tratar o ser humano como se fosse um intruso no planeta que habita.
Criou-se uma falsa separação entre o homem e a natureza, como se nossas casas, plantações, cidades e atividades produtivas fossem necessariamente agressões ao meio ambiente.
Mas existe uma verdade fundamental: o ser humano não está fora da natureza. Ele faz parte dela.
A própria Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, estabelece:
"Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações."
A Constituição, portanto, reconhece que a proteção ambiental está diretamente relacionada à qualidade de vida humana. Não se trata de preservar a natureza contra o homem, mas de assegurar condições para que a vida prospere em equilíbrio.
Somos parte desse ambiente. Cultivar a terra, plantar árvores, produzir alimentos, construir moradias e utilizar responsavelmente os recursos naturais são atividades inerentes à existência humana.
Preservar não significa necessariamente impedir o uso. Produzir não significa necessariamente destruir.
A verdadeira sustentabilidade deve conciliar conservação ambiental, desenvolvimento econômico, propriedade, trabalho e dignidade humana, respeitando os limites ecológicos e a legislação.
Não podemos permitir que a proteção da natureza seja transformada em justificativa para desconsiderar o próprio ser humano.
O homem não é inimigo da natureza. É parte integrante dela.
E nenhuma política ambiental estará verdadeiramente completa enquanto ignorar essa realidade.




