
INFORME ESPECIAL: A ECONOMIA NOS GOVERNOS LULA E BOLSONARO
Por Alan Alves Moreira
INFORME ESPECIAL: A ECONOMIA NOS GOVERNOS LULA E BOLSONARO
Por Alan Alves Moreira
Para a Redação do Jornal Liberdade
"Na dúvida em quem votar, consulte ao Google ou à inteligência artificial."
Diante dessa provocação que circula entre os leitores, a reportagem do Jornal Liberdade fez essa mesma consulta aos bancos de dados públicos e aos relatórios de indicadores econômicos do país. O resultado traz um panorama completo sobre o comportamento dos preços, da cesta básica, dos combustíveis e do poder de compra dos brasileiros.
Inflação e o custo da alimentação
Durante a gestão de Jair Bolsonaro (2019–2022), a inflação oficial acumulada (IPCA) ficou em torno de 27%. O impacto mais sentido pela população esteve no grupo Alimentação e Bebidas, que subiu mais de 50%, com a alimentação no domicílio registrando alta de 54,2% nos primeiros 44 meses de mandato. Fatores como a pressão das commodities no mercado internacional, a desvalorização do real e a redução de estoques reguladores impulsionaram altas expressivas em itens do dia a dia, a exemplo do feijão-carioca, que subiu 134,2% no período.
No governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2023–2026), a inflação acumulada nos três primeiros anos ficou próxima de 14%. O custo da alimentação no domicílio teve uma desaceleração no ritmo de aumento, registrando variação de 12,9% no mesmo intervalo de comparação de 44 meses. Embora o patamar de preços continue sendo um desafio para o orçamento familiar, a média de reajustes dos alimentos perdeu força em comparação ao ciclo anterior.
Cesta básica e poder de compra
O impacto dos preços refletiu de forma direta na capacidade de consumo do trabalhador. No início de 2019, o salário mínimo nacional equivalia ao valor de duas cestas básicas médias. Ao final de 2022, esse poder de compra caiu para aproximadamente 1,6 cesta básica, em um período em que a política de reajuste do piso nacional limitava-se à reposição da inflação sem ganhos reais.
Com a retomada da política de valorização real do salário mínimo a partir de 2023, o indicador iniciou um processo de recuperação gradativa. O poder de compra subiu de 1,5 cesta básica ao término de 2022 para cerca de 1,7 cesta básica no segundo semestre de 2026, segundo levantamentos sobre o custo de vida nas capitais.
Combustíveis e política de preços da Petrobras
No setor de combustíveis, o governo Bolsonaro manteve até meados de 2022 a política de Preço de Paridade de Importação (PPI), que vinculava os valores internos à cotação do petróleo no mercado internacional e à variação do dólar. Esse modelo levou a gasolina e o diesel a picos históricos de preço ao longo de 2021 e início de 2022, motivando a aprovação de desonerações tributárias federais e a fixação do teto de ICMS nas vésperas do período eleitoral.
Em maio de 2023, a gestão Petrobras no governo Lula encerrou o alinhamento automático com a paridade internacional, passando a adotar parâmetros focados no custo de produção nacional e nas condições do mercado interno. Desde então, os preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha apresentaram maior estabilização e redução dos picos de flutuação em relação às crises externas do petróleo.
O cenário macroeconômico
Ao analisar o contexto geral da economia, a gestão anterior enfrentou os reflexos da pandemia da Covid-19 e focou em reformas estruturais, operando com a taxa de juros (Selic) que variou do patamar histórico de 2,0% ao ano no pico da crise até 13,75% ao ano no final de 2022.
Já o período atual foi marcado por um ciclo de corte de juros iniciado em 2023 e pelo crescimento econômico sustentado pelo consumo das famílias, expansão do setor de serviços e desempenho do agronegócio, alinhados à busca pelo cumprimento das metas inflacionárias oficiais.




