
Dinheiro Público: bem mais do que um recurso para financiamento das políticas
Inversão: Quando a lógica do Fisco não é arrecadar, mas distribuir!
Já vi mais de um articulista escrever sobre um suposto “estelionato eleitoral”. O camarada fez um mapeamento da distribuição do Programa Federal de Transferência de Renda “Bolsa Família”, associando a concessão do benefício ao êxito de votação em prol de determinada sigla partidária, com todo viés ideológico que ela carrega consigo, na exata proporção em que o auxílio foi aprovado e liberado, consoante a apuração das urnas, nos respectivos colégios eleitorais. Em síntese, a tese seria esta. Ladeando a alegação de que a esquerda compra votos, argúi-se, ademais, que a esquerda é corrupta. Dito de outra maneira, a direita, do atual momento, hasteia a bandeira da própria ética (contra toda evidência!). Por fim, e não menos importante, toma-se como modelo a sociedade americana. Lá, seria o país próspero. Sem considerar a peculiaridade histórica da trajetória dos países. Sem ponderar que os Estados Unidos da América são o que são, pelo uso deliberado, ininterrupto e intensivo da violência (bélica, principalmente). Nem haveria espaço gráfico para falarmos dos embargos e sobretaxações. Enquanto a nação brasileira litiga contra si, e dentro de si mesma, cindida que está em dois exércitos ideológicos, o que se passa na América setentrional é isto: notícia de 19 de outubro de 2026 dá publicidade ao anúncio de Elon Musk, o qual assegurou que vai dar uma ação da SpaceX a cada criança nos Estados Unidos da América. Hoje existem 73 milhões de pessoas com menos de 18 anos no país referido. Musk , na última eleição, foi o maior doador de recursos de campanha para o partido republicano. E ele permanece nessa condição. Para quem acha tudo isso pouco, em setembro de 2026 Donald Trump prometeu US$ 5 mil para cada cidadão norte-americano adulto, caso o partido republicano tenha maioria no Congresso na próxima eleição. E pasmem! Os democratas, como mostram as pesquisas, estão em vantagem! Note-se que o Bolsa Família passa por critério. Aliás, por vários critérios. É uma ferramenta de promoção social, diferente do que Trump está fazendo, uma distribuição de dinheiro sem nenhum propósito (além do puramente eleitoral). Esse prometido dinheiro, assim o percebo, é, além de antiético, ilegal e inconstitucional. Além de não haver previsão legal, mostra-se ilegítimo, antijurídico. Quando o governo da maior potência capitalista do mundo decide distribuir dinheiro vivo e títulos do sistema financeiro em nome da governabilidade, não tenho a menor dúvida, socializa riqueza porque o modelo oposto se exibe falido, moribundo mesmo. Roubando petróleo da Venezuela e do Irã, expropriando a Ucrânia de petróleo e gás, fazendo acordos indecentes com Chile, Argentina, Bolívia e Peru, para extração de minerais estratégicos, fica fácil, bem fácil, entregar US$ 5 mil para cada cidadão ianque. Queremos ser como eles, mas eles são o que são à nossa custa. Estelionato contra nós mesmos, é votarmos em algum laranja de confiança dos estadunidenses, que recebe o cargo das mãos dos estrangeiros e entrega a eles as nossas riquezas. A discussão não deveria ser sobre Bolsa Família. Se soubermos negociar com o mundo o que temos em terras raras, em minerais críticos, o aludido benefício federal ficará delegado ao âmbito do irrisório financeiro. O buraco é mais embaixo. Não adianta economizar o tostão e entregar o milhão. Podemos negociar com outros parceiros. O Brasil é a bola da vez. Há muitos governos dispostos a criar infraestrutura aqui, onde vivemos, e entabular acordos mais paritários. Dito tudo isso, pensemos bem o que vem a ser um “estelionato eleitoral”. O que mais importa? O eixo do debate deve repousar sobre qual coordenada política? Decidir política é como gerir uma empresa, e não como escolher entre dois pedaços de bolo de diferentes sabores. Reflitamos! Reflexão é luz!




