
ARAUCÁRIA NÃO É SÓ BRASILEIRA: CONHEÇA AS DIFERENTES ESPÉCIES QUE EXISTEM PELO MUNDO
Da Serra Catarinense às florestas australianas, as araucárias revelam uma história natural muito mais antiga e diversificada do que muitos imaginam. por Francisco Guerios
Da Serra Catarinense às florestas australianas, as araucárias revelam uma história natural muito mais antiga e diversificada do que muitos imaginam.
Quando falamos em araucária, a primeira imagem que vem à cabeça dos brasileiros é o tradicional pinheiro-do-paraná, com sua copa em formato de guarda-chuva, presente nas paisagens do Sul do Brasil.
Mas existe um detalhe que muita gente desconhece: a araucária não é uma árvore exclusivamente brasileira.
O gênero Araucaria, pertencente à família Araucariaceae, reúne atualmente 20 espécies botânicas reconhecidas, distribuídas naturalmente pela América do Sul, Austrália, Nova Guiné, Nova Caledônia e outras ilhas do Pacífico.
Existem araucárias nativas na Austrália
Na Austrália, encontramos espécies impressionantes, como:
Araucaria bidwillii: conhecida como Bunya Pine, é nativa de Queensland e produz enormes pinhas com sementes comestíveis.
Araucaria cunninghamii: chamada de Hoop Pine, ocorre naturalmente no leste australiano e também na Nova Guiné. É utilizada na produção de madeira.
Araucaria heterophylla: conhecida como pinheiro-de-norfolk, é originária da Ilha Norfolk, território australiano no Oceano Pacífico. Sua copa simétrica tornou a espécie popular na arborização ornamental.
Na América do Sul, destacam-se a Araucaria angustifolia, nativa do Brasil e de regiões próximas da Argentina e do Paraguai, e a Araucaria araucana, encontrada naturalmente no Chile e na Argentina.
Na Nova Caledônia, território francês no Pacífico, existem ainda numerosas espécies, como Araucaria columnaris, Araucaria montana, Araucaria luxurians e Araucaria muelleri.
Uma história que começou milhões de anos antes do Brasil existir
As araucárias pertencem a uma linhagem evolutiva muito antiga, com registros fósseis que remontam ao período Jurássico, quando os dinossauros habitavam a Terra.
A distribuição atual dessas árvores está relacionada à história geológica dos continentes e à evolução das florestas do antigo hemisfério sul.
Isso explica por que encontramos parentes botânicos tão próximos separados por milhares de quilômetros de oceano.
A natureza não reconhece fronteiras políticas. As espécies possuem histórias evolutivas anteriores à existência dos países.
Nem toda araucária é pinheiro-do-paraná
Assim como acontece com os eucaliptos, árvores pertencentes ao mesmo gênero podem apresentar diferenças significativas.
As araucárias variam no formato das copas, disposição dos galhos, características das folhas, textura das cascas, tamanho das pinhas e adaptação às condições ambientais.
Algumas desenvolvem copas abertas e horizontais, enquanto outras apresentam formato cônico, com galhos distribuídos regularmente ao longo do tronco.
Portanto, encontrar uma árvore com aparência semelhante à araucária brasileira não significa necessariamente que estamos diante de uma Araucaria angustifolia.
A identificação correta depende do conjunto de características botânicas, e não apenas da silhueta ou da aparência da casca.
A importância de conhecer antes de classificar
A presença de diferentes espécies de araucária ao redor do mundo demonstra a importância do conhecimento botânico na interpretação das paisagens florestais.
Uma araucária australiana cultivada no Brasil continua sendo uma espécie exótica em território brasileiro. Da mesma forma, o pinheiro-do-paraná permanece uma espécie nativa de sua região natural de ocorrência, independentemente de onde seja cultivado.
A origem de uma espécie não é determinada pelo lugar onde uma árvore foi plantada, mas por sua distribuição natural e sua história evolutiva.
Esse conhecimento é fundamental para a silvicultura, a conservação ambiental, os inventários florestais e a identificação correta das espécies.
Preservar a natureza começa pelo conhecimento. Não basta olhar para uma árvore e acreditar que sabemos sua origem. É preciso compreender sua espécie, sua história e seu papel no ambiente.
Afinal, a araucária que conhecemos no Sul do Brasil é apenas uma representante de uma família de árvores extraordinárias, cuja história atravessa continentes e milhões de anos.




