
A CONTA CHEGOU: O crédito da pandemia virou armadilha de R$ 232 bilhões
Por Alan Alves Moreira - Rede Neural
A CONTA CHEGOU: O crédito da pandemia virou armadilha de R$ 232 bilhões
Com a taxa Selic a 14,5% ao ano, empréstimos criados para salvar empresas na crise sanitária sufocam o caixa do setor produtivo.
Por Alan Alves Moreira | Jornal Liberdade
A pandemia de Covid-19 ficou para trás no cotidiano das pessoas, mas continua pesando no balanço das empresas brasileiras. O crédito emergencial tomado entre 2020 e 2021 tornou-se um passivo de difícil amortização, agravado diretamente pela escalada da taxa básica de juros nos anos seguintes.
No auge da crise sanitária, em meados de 2020, o Banco Central manteve a taxa Selic no piso histórico de 2,0% ao ano. Para evitar um colapso em massa, o governo federal lançou o Pronampe com juros atrativos de Selic + 1,25% ao ano — o que resultava em um custo total de apenas 3,25% ao ano. O socorro manteve empregos e portas abertas, mas contratou uma dívida flutuante de longo prazo.
O encarecimento das dívidas e a inadimplência recorde
Conforme a inflação subiu no pós-pandemia, a Selic subiu drasticamente até atingir o patamar atual de 14,5% ao ano. Como a imensa maioria dos contratos foi atrelada a taxas flutuantes, o custo do crédito disparou. Nas repactuações recentes do Pronampe, a margem cobrada subiu para Selic + 6,0% ao ano, elevando o custo final para mais de 20,5% ao ano. Já no crédito livre bancário tradicional para micro, pequenas e médias empresas, as taxas chegam a ultrapassar 20% a 30% ao ano.
Esse choque de juros drenou o capital de giro do setor produtivo. Dados da Serasa Experian revelam que a inadimplência empresarial atingiu a marca de 9,1 milhões de CNPJs negativados, acumulando um montante de R$ 232,9 bilhões em dívidas em atraso. Em média, cada empresa negativada no país acumula 7,3 contas vencidas.
"Sem acesso direto ao mercado de capitais para renegociar prazos com investidores, as pequenas empresas dependem do crédito bancário tradicional, destinando grande parte do faturamento apenas para cobrir despesas financeiras."
O reflexo no consumo e no comércio
A crise de liquidez das empresas reflete diretamente a situação das famílias, que enfrentam juros elevados no cartão de crédito e no consignado. Com o orçamento doméstico comprometido por dívidas, o consumidor compra menos.
A equação fecha no vermelho: o comércio fatura abaixo do esperado justamente no momento em que precisa de caixa para quitar os empréstimos da pandemia. Enquanto os juros permanecerem em níveis restritivos, a liquidação desses débitos contraídos a partir de 2020 continuará desacelerando a recuperação econômica do país.



