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​A CONTA CHEGOU: O crédito da pandemia virou armadilha de R$ 232 bilhões

​A CONTA CHEGOU: O crédito da pandemia virou armadilha de R$ 232 bilhões

Por Alan Alves Moreira - Rede Neural

Alan Alves Moreira
13 de outubro de 2026
87 visualizações

​A CONTA CHEGOU: O crédito da pandemia virou armadilha de R$ 232 bilhões

​Com a taxa Selic a 14,5% ao ano, empréstimos criados para salvar empresas na crise sanitária sufocam o caixa do setor produtivo.

​Por Alan Alves Moreira | Jornal Liberdade

​A pandemia de Covid-19 ficou para trás no cotidiano das pessoas, mas continua pesando no balanço das empresas brasileiras. O crédito emergencial tomado entre 2020 e 2021 tornou-se um passivo de difícil amortização, agravado diretamente pela escalada da taxa básica de juros nos anos seguintes.

​No auge da crise sanitária, em meados de 2020, o Banco Central manteve a taxa Selic no piso histórico de 2,0% ao ano. Para evitar um colapso em massa, o governo federal lançou o Pronampe com juros atrativos de Selic + 1,25% ao ano — o que resultava em um custo total de apenas 3,25% ao ano. O socorro manteve empregos e portas abertas, mas contratou uma dívida flutuante de longo prazo.

​O encarecimento das dívidas e a inadimplência recorde

​Conforme a inflação subiu no pós-pandemia, a Selic subiu drasticamente até atingir o patamar atual de 14,5% ao ano. Como a imensa maioria dos contratos foi atrelada a taxas flutuantes, o custo do crédito disparou. Nas repactuações recentes do Pronampe, a margem cobrada subiu para Selic + 6,0% ao ano, elevando o custo final para mais de 20,5% ao ano. Já no crédito livre bancário tradicional para micro, pequenas e médias empresas, as taxas chegam a ultrapassar 20% a 30% ao ano.

​Esse choque de juros drenou o capital de giro do setor produtivo. Dados da Serasa Experian revelam que a inadimplência empresarial atingiu a marca de 9,1 milhões de CNPJs negativados, acumulando um montante de R$ 232,9 bilhões em dívidas em atraso. Em média, cada empresa negativada no país acumula 7,3 contas vencidas.

​"Sem acesso direto ao mercado de capitais para renegociar prazos com investidores, as pequenas empresas dependem do crédito bancário tradicional, destinando grande parte do faturamento apenas para cobrir despesas financeiras."

​O reflexo no consumo e no comércio

​A crise de liquidez das empresas reflete diretamente a situação das famílias, que enfrentam juros elevados no cartão de crédito e no consignado. Com o orçamento doméstico comprometido por dívidas, o consumidor compra menos.

​A equação fecha no vermelho: o comércio fatura abaixo do esperado justamente no momento em que precisa de caixa para quitar os empréstimos da pandemia. Enquanto os juros permanecerem em níveis restritivos, a liquidação desses débitos contraídos a partir de 2020 continuará desacelerando a recuperação econômica do país.

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