Natal de 2025: uma visão a posteriori
A falsa esperteza dos filhos das trevas não dá folga!
Por Cleverson Israel 18 min de leitura
Notícia de 24 de dezembro de 2025, do G1, informou que uma menina de 11 anos passou mal, após comer uma bala, distribuída por quatro pessoas, vestidas de Papai Noel, em São Gonçalo do Pará, em Minas Gerais. Encontraram-se comprimidos dentro das balas. As vestes do bom velhinho foram aviltadas, sem dúvida. Mas muito pior do que isto, uma data que deveria ser marcada por amor e solidariedade, recebeu a impressão da maldade humana, que persiste habitar alguns corações. O que leva uma quadrilha de meliantes despender esforço e, em algum nível organizar-se, para perpetrar malvadezas em face de crianças? Qual a vantagem obtida com essa ignóbil iniciativa? Se o tempo é escasso, por que usá-lo em desfavor de outrem, ao invés de direcioná-lo em próprio favor? O que mais passa perto disso é a cinematográfica personalidade de O Coringa. Diferentemente de bandidos tradicionais, Coringa não busca locupletar-se de dinheiro mediante atividades ilícitas. Ele quer o caos, a anarquia. Sua meta não é o próprio conforto, mas fazer o mundo precipitar-se na desordem. Cientificamente, o ator social seria diagnosticado com Transtorno Dissociativo de Identidade. A escolha de uma figura folclórica de referência, notória por fazer-se acompanhar de características positivas como bonachão, carinhoso, carismático, não é casuística, mas muito bem pensada. A mensagem que se pretende passar é esta: ninguém é digno de confiança, do lado de dentro, todo indivíduo é mau. Em não havendo ponto seguro, o sentimento que sobrevém é o de incerteza, e até de pânico. Estes são os sentimentos que esses elementos travestidos pretendem produzir. A menina vítima, doravante, não verá o Papai Noel e o mundo com os mesmos olhos. Aliás, aqui vou ampliar um pouco este debate. De acordo com o periódico Le Parisien, edição de 25 de dezembro de 2025, as pesquisadoras francesas Frédérique Giraud e Gaële Henri-Panabière demonstraram que crianças de classes sociais distintas enxergam a figura natalina do Papai Noel de modo diverso. Não há um consenso entre os pais dos infantes sobre quando, exatamente, deve-se revelar aos filhos que Papai Noel é meramente um ícone simbólico, sem correspondente no mundo concreto. Nas classes pobres há uma postergação dessa revelação, porque os pais compreendem que, a despeito das condições difíceis de vida, é importante continuar sonhando, o que se liga à ideia de esperança de uma superveniente e radical melhora. Lado outro, nas classes médias e altas, a revelação da inexistência do ancião alvirrubro e hiperbóreo ocorre precocemente, porque os pais entendem que o pensamento objetivo e sua relação com o mundo são o que mais pesam, dado seu inescusável viés de criticidade. Senso de realidade é o que mais conta, na visão dos pais mais abonados. Ainda que Papai Noel tenha principiado como simulacro de santo, São Nicolau, hoje ele é mais carro-chefe de marketing do que qualquer outra coisa. Em vários países da Europa, como Irlanda, Alemanha, França, Polônia, Inglaterra, Áustria e Espanha, os cristãos estão a sair pelas ruas para declarar sua fé em Jesus Cristo. Na Espanha, entoa-se: “España cristiana y no musulmana!”. Depois de séculos de antropocentrismo, marcados pela secularização, pelo materialismo, pelo soerguimento de gênios e ídolos culturais, o Ocidente depara-se com a verdade de que, em que pese toda a sua prolífica produção cultural, a verdadeira identidade que faz com que sejamos nós mesmos, é o Evangelho do nazareno pregado na cruz, e, empós, triunfalmente ressuscitado. Contudo, entendo que não é o caso de abraçarmos a Jesus Cristo e descartarmos todo o mais. Cristo é compatível com a literatura filosófica e científica posta em curso nos últimos séculos. Mais do que isso, o cabedal de pensamento, amealhado nos últimos tempos da contemporaneidade, torna a fé cristã mais robusta e madura. Não é o caso de eleger um fator e relegar o outro ao descarte. Conheço bem o Alcorão e tenho a maior admiração pelos islâmicos. Entretanto, meu coração comunga mais com Jesus Cristo do que com Maomé, justamente porque os cristãos temos a capacidade de passar pelos quadros de uma universidade, processar toda uma discussão metodológica, epistemológica, teórica e científica, sem ter de romper com a religião que recebemos no seio da família e da comunidade, simultaneamente, recepcionando padrões de pensamento de grande valia científica, tecnológica, profissional e cidadã. O Cristo cósmico casa com a diversidade. Cristo é um só, mas do Espírito Santo procedem muitos dons e carismas. Ao tempo em que nós, os cristãos, somos um, há inumeráveis modos de ser cristão. A universalidade do Evangelho sempre elege uma via pela qual o amor de Deus se tornará concreto por uma determinada singularidade. Por tudo isso, o nascimento do Deus-Menino sempre será luz para o mundo!
